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Criança na corrida de rua: o exemplo do pequeno Álvaro

Com apenas três anos, Álvaro já conhece, por meio do exemplo dos pais, os benefícios do esporte

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Gastando o tênis

“Por que você corre?”. Esses dias me fizeram essa pergunta. Tive que parar por alguns minutos e refletir. Poderia, sem pestanejar, responder que era para exterminar a vida sedentária de outrora ou ainda para continuar realizando sonhos e motivando as pessoas. Mas existe uma razão ainda maior… uma razão que me faz buscar o melhor sempre, seja como corredor, seja como ser humano.

Corro para mostrar para o Álvaro, nosso filho de três anos, que o esporte nos dá saúde, nos livra de doenças, nos apresenta novos amigos, realiza sonhos e nos leva ao limite, e que, acima de tudo, nos dá vida! É claro que ele ainda não entende o significado disso tudo, mas percebe por meio da vivência e do exemplo.

A corrida é uma brincadeira para o Álvaro, ele se diverte e vai continuar sendo assim até quando ele quiser. Só a partir dos 14 anos os profissionais recomendam treinos específicos para crianças. E, claro, com acompanhamento de um profissional especializado.

Segundo um manual lançado no ano passado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), para afastar o risco de obesidade infantil é necessário três horas de atividades físicas diárias para crianças de até cinco anos.

Na faixa etária do Álvaro, por exemplo, as atividades devem ser mais leves. A partir dos seis anos, a recomendação cai para uma hora diária, mas os exercícios podem ser mais intensos, como correr.

Só que um rival de peso tem tirado as crianças das ruas e prejudicado a qualidade de vida dos pequenos: as telas, como as TVs e celulares. O manual relata que crianças maiores de dois anos podem permanecer em frente a telas por duas horas diárias, descontando o tempo que utilizam computadores para atividades escolares.

Segundo especialistas, os pais precisam engajar as crianças em atividades ao ar livre e mostrar o prazer em praticar uma atividade física. Nesse caso, o exemplo é fundamental.

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Atualmente, segundo levantamento feito pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), mais 50% dos adolescentes brasileiros não praticam nenhuma atividade física. E pior: uma em cada seis crianças tem sobrepeso. Para combater esse dado alarmante, o trabalho dentro de casa é fundamental. Acredito que nenhum pai, nenhuma mãe, ou responsável, quer que o filho sofra com as dificuldades de uma doença. Então, é preciso assumir essa briga e mostrar uma nova realidade para a criança.

Para o profissional de Educação Física Rafael Guedes, responsável por uma assessoria esportiva especializada em corrida que leva seu nome, a corrida fortalece os ossos, aumenta a flexibilidade muscular e também estimula o desenvolvimento cognitivo da criança.

E para completar: um estudo publicado no periódico Ciência dos Exercícios Pediátricos informou que a corrida proporciona um gerenciamento mais saudável de emoções, como a raiva, além de ajudar no controle de transtornos, como déficit de atenção e hiperatividade.

Mas não adianta simplesmente sair correndo por aí com o filho. “O primeiro passo é a realização de uma avaliação com um pediatra para saber como está a sua saúde do seu pequeno”, afirma Rafael Guedes.

Para o Álvaro, brincar de correr já rendeu duas medalhas em provas infantis. Ele estreou no Rio de Janeiro, em junho, e se divertiu um monte algumas semanas atrás na Corrida Pão de Açúcar Kids. A ansiedade antes, a felicidade durante, e a emoção da realização que ele transmitiu só provam que a corrida foi a melhor escolha que fizemos.