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A busca pela meia maratona sub 1h30min

Dedicação nos treinos e paciência são alguns dos segredos para conseguir bons resultados na corrida

Valéria Mello CattaruzziPor
Valéria Mello Cattaruzzi
meia maratona sub 1h30min

Fotos: Reprodução do Instagram @valery_mello

Minha história na corrida começou como a de muitos atletas amadores. Tenho 36 anos, sou mãe, esposa e contadora, em São Bernardo do Campo (SP). Decidi levar os treinos a sério e entrar para uma assessoria em maio de 2013, quatro anos após o nascimento de minha filha, pois sentia que precisava mudar meu corpo.

Eu já havia corrido antes e até participei de uma meia maratona, em 2006. Porém, como não tinha orientação, sofri muito. Completei a prova em mais de 2h30min e prometi que nunca mais faria aquilo. Ainda bem que não cumpri a promessa…

Em agosto de 2013, já com acompanhamento profissional, voltei a fazer os 21K, na Meia Maratona de São Bernardo. Gostei muito da prova e fiquei feliz com meu resultado. Conforme minha performance foi evoluindo, conheci outras corredoras e vi que poucas conseguiam terminar as provas com bons tempos.

Percebi também que haviam algumas marcas muito respeitadas e desejadas, tanto para mulheres quanto para homens, como os 10K sub 40 min, os 21K sub 1h30min e a maratona sub 3 horas. Comecei a achar incrível os atletas amadores completarem as corridas com esses tempos e passei a imaginar se poderia fazer algo assim.

Meu desejo por alcançar esses resultados aumentou conforme eu conversava com corredoras mais experientes. Nesses bate-papos, notei que para conseguir boas marcas seria fundamental muita dedicação nos treinos e, acima de tudo, paciência.

meia maratona sub 1h30min

A busca pelo recorde

Em maio de 2014, fiz meu melhor tempo nos 21K até então: 1h32min. A marca durou três anos e só consegui superá-la em maio de 2017, quando completei a Seven Run em 1h31min. O resultado me deu confiança para buscar o sonhado sub 1h30min. Convidei meu treinador, Rodrigo Lobo, para montarmos um pelotão e buscar meu recorde nos 21 km da SP City Marathon. Ele aceitou e começamos a treinar.

Faltando uma semana para a prova, entrei em pânico! Percurso com subida, curvas, definitivamente não seria fácil fechar no tempo esperado. Mas meu treinador disse que era possível e que com certeza eu iria cruzar a linha de chegada no grupo sub 1h30min.

No dia da corrida, fiz de tudo para manter calma, pois o nervosismo em excesso poderia prejudicar meu desempenho. O desafio era intenso. Precisava manter o pace de 4:15 min/km por 21 km. Não seria fácil! Na largada, estavam ao meu lado colegas da assessoria e um amigo muito especial, o Ricardo Amorim. Ele ia fazer a maratona, mas se disponibilizou a me acompanhar na primeira metade de sua prova.

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Quando a corrida começou, às 6h da manhã, São Paulo ainda dormia. Pelas ruas do centro, fui me acalmando e observando a energia dos atletas. A cidade que nunca para, parou para nós. Eu sabia que era um dia especial, sentia isso! Escutava músicas, respirações e repetia: “Está tudo bem!”. Fiz força para manter o pace durante toda a subida da Av. 23 de Maio e, no fim dela, comecei a sentir o peso nas pernas. Soltei na descida e, ao chegar no Ibirapuera, meu coração sabia que o ritmo estava encaixado e bastava mantê-lo.

Chegaram os túneis, que são sempre difíceis, com subida. Porém, já os conhecia e estava preparada para o desafio. Segui fazendo força força. Assim que saí do segundo túnel, veio a certeza: “Vamos conseguir!”. Entrei no Jockey Club e olhei para o lado. Meu treinador e um amigo da assessoria ainda estavam comigo. Não tive dúvidas. Peguei a mão dos dois e cruzamos a linha de chegada juntos, em 1h29m12s. Gritei, vibrei e olhei para o relógio, sem acreditar no que estava acontecendo. Foram necessários mais de três anos de treinamento para conquistar aquele momento. Vivi intensamente!

Na corrida, o que vale é a superação. Seja para alcançar recordes pessoais, seja para ganhar uma prova, seja para conseguir completar um percurso. Cada corredor sabe o quanto se esforçou para estar ali. E isso é o mais importante. Lute sempre até conquistar seu objetivo, pois são os aprendizados dessa batalha que levamos conosco para toda a vida.

No próximo domingo (12/11), minha luta por um novo recorde continua. Dessa vez, ela será em Brasília, na BSB City Marathon. Se você estiver por lá, aproveite para conferir a palestra sobre bom desempenho na corrida que vou dar na EXPO da prova, no sábado. Depois, contarei aqui como foi a meia maratona, mas você também pode acompanhar tudo pelo meu Instagram: @valery_mello