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Os meus melhores 21 km

A quarta meia maratona de Murillo foi repleta de tensão e medo de uma nova lesão, mas terminou cheia de emoção

Gastando o tênisPor
Gastando o tênis
Os meus melhores 21 km

Foto: Fotop / Vandrei Stephani (@vandrei_st)

O que faz alguém abandonar uma confraternização de amigos em pleno feriado prolongado? No meu caso, correr a minha quarta meia maratona. Para certas pessoas, pode até parecer fácil abrir mão de compromissos pessoais por causa do esporte, mas sabemos que nem sempre é assim. Um encontro entre bons amigos, regado a risadas e boas conversas, é capaz amolecer o coração de qualquer um – e fazer muitos esquecerem do compromisso com a atividade física. Enfrentei o desejo de ficar, coloquei as malas no carro e embarquei com a Ludmila e o Álvaro para correr a Meia Maratona Athenas SP, realizada no último domingo (5/11).

Saí de casa convicto de que estava pronto para enfrentar os 21,097 km do dia seguinte. Como contei em A Preparação Para Minha Quarta Meia Maratona, foram algumas semanas de trabalhos específicos, planejados e seguidos à risca para essa prova. Não deixei treino para trás. Em outubro, rodei mais de 160 km – o segundo mês do ano com maior volume acumulado (o primeiro foi maio, quando gastei o tênis em 180 km, na preparação para estrear na meia maratona).

Por mais que a gente sinta nervosismo nos treinos, a ficha sobre o desafio que vamos encarar só cai mesmo quando se está com o kit nas mãos. Foi nessa hora que percebi que não tinha mais como voltar atrás. Teria de enfrentar os receios e largar novamente para uma meia maratona. Minha última experiência na distância não foi bacana. Na Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro, em agosto, me lesionei e tive que terminar a prova caminhando. Foram intermináveis quilômetros até a linha de chegada. Contei um pouco desse dia em O Pesadelo das Lesões.

Tensão em alta

Na noite de sábado, bateu o nervosismo pré-prova. Tentar dormir virou uma grande saga. Parecia algo impossível. Depois de um belo tempo virando pra lá e pra cá na cama, finalmente consegui pegar no sono.

O celular despertou às 5h. Tinha tempo suficiente para me arrumar, ir até o local da prova e fazer um bom aquecimento. Porém, foi só sair da cama que bateu uma vontade terrível de ir ao banheiro. “Ferrou. Justo hoje vou ter dor de barriga?”, pensei. Mas passou! O coração parecia estar na boca. Sério! Não tinha sentido coisa parecida nas outras provas. A ansiedade havia me pegado para valer.

A tensão diminui conforme o horário da largada foi se aproximando. Só que aí outro vilão entrou no jogo: o medo de uma nova lesão. Ainda sentia os efeitos da Meia do Rio, apesar de ter certeza que realizei uma preparação impecável.

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Quando foi dada a largada e ativei o GPS, esqueci de tudo. Não tinha mais traumas da última prova, nem ansiedade, nem piriri. Só queria saber de controlar minha respiração. Acreditava que era a única coisa que poderia me derrubar no começo da corrida. Se me perdesse na frequência cardíaca, correria o risco de me perder na prova também.

Os primeiros cinco quilômetros passaram abaixo dos 5:00 min/km. Ao perceber isso, fiquei feliz e preocupado. Feliz porque estava me sentindo bem fisicamente, preocupado porque ainda faltavam 16 km e poderia “ficar sem perna” no final. Mesmo assim, decidi arriscar e manter o ritmo.

Outra decisão importante que tomei foi não deixar passar pontos de hidratação. Usei a água para uma leve molhada na boca e para esfriar um pouco a temperatura do corpo. Acredito que isso ajudou a me sentir bem.

Os meus melhores 21K

Foto: Fotop / Pâmela Gianezi (@pamgianezi)

A EXPECTATIVA PARA O RECORDE

Na metade do percurso, depois de superar as subidas e descidas da Ponte Estaiada, ainda estava com todos os quilômetros abaixo dos 5:00 min/km. Era um sonho concluir a corrida nesse pace, mas ainda tinha chão pela frente. Segurei a euforia, usei o gel de carboidrato e voltei a me concentrar na respiração.

A perspectiva era terminar a meia maratona abaixo de 1h50min, tempo que fiz na SP City Half Marathon. Os últimos quilômetros foram de alívio e felicidade. Continuei abaixo do ritmo proposto e estava com as pernas em dia. Quando percebi que conseguiria um sub 1h45min, esqueci a respiração e curti os últimos metros.

Há um ano, nesse mesmo mês, eu estava indo para minha segunda prova. Tinha acabado de fazer seis quilômetros em 36min. Agora, cruzei a linha de chegada de uma meia maratona em 1h43min. Vocês têm ideia do que isso significa? É uma vitória inimaginável. Aos poucos, estou conseguindo. Um passo de cada vez, lutando contra todos os obstáculos de uma ex-vida sedentária e comemorando cada quilômetro como se estivesse vencendo um campeonato.

Comemorei muito. Gritei. Esbravejei. Coloquei para fora cada medo de lesão, cada pingo de ansiedade. Era o meu momento. Aí, você se questiona: “Vibrar tanto em uma meia maratona, sendo que há outras provas e distâncias tão mais desafiadoras?”. É verdade! Sou fã incondicional dos ultras e dos maratonistas. Um dia chego lá. Enquanto isso, sigo amando as medalhas das minhas quatro meias.

Os meus melhores 21K

Foto: Arquivo pessoal

Cada um de nós, corredor de qualquer distância, sabe o esforço que faz para completar uma prova. A dificuldade para começar a treinar ou completar um longão interminável. Tem ainda aqueles dias em que nada flui, mas você enfrenta e continua correndo. No fundo, é isso que importa. Se uma meia maratona pode parecer um objetivo distante demais para você, saiba que para mim também já foi. Mas consegui alcançar. Você também pode. Persista, a vitória sempre vem!

Em nosso Instagram @gastandootenis, você pode acompanhar um pouco mais da nossa rotina de treinos. A próxima meta é comemorar os 18 km da Volta Internacional da Pampulha, em Belo Horizonte.