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O desafio de correr uma milha

Além de testar meu limite, a New Balance Mile Challange fez com que eu me sentisse um pouco como um corredor profissional

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correr uma milha

O que faria você acordar bem cedo no domingo para correr 1.609 metros? Você não leu errado: apenas 1,6 km. Nesse final de semana, eu e vários outros atletas saímos da cama de madrugada para fazer uma prova dessa distância. No caso, a New Balance Mile Challenge, realizada na pista de atletismo do Esporte Clube Pinheiros. Foi a primeira vez no Brasil de um modelo de evento que já faz sucesso nos Estados Unidos. Lá, a New Balance 5th Avenue Mile reúne milhares de pessoas e é superaguardada pelos corredores.

Três fatores me fizeram aceitar o convite da New Balance e da EpicSports para participar da competição.

1 – Correr uma milha seria algo novo para mim, um desafio diferente de todos os que já participei.

2 – Sempre quis saber qual era o limite da minha velocidade.

3 – A oportunidade de correr na pista de atletismo de um clube tão ligado à corrida, onde treinam (ou treinaram) campeões Pan-Americanos e atletas olímpicos.

O DESAFIO  

A prova foi dividida entre amadores e elite. Nós, meros mortais, a disputamos em categorias, definidas por faixa etária e sexo, em duas fases: a primeira, classificatória, com 33 pessoas; a segunda, final, com os dezesseis melhores atletas de cada bateria.

Confesso que fui para a New Balance Mile Challenge acreditando que teria chance de ficar entre os dezesseis melhores e estar na final. Só esqueci de pensar que poderiam ter uns “canelas finas” entre os amadores. E lá estavam ele! Ao meu lado havia atletas bem mais preparados e rápidos do que eu – muitos deles acostumados a subir no pódio em corridas de rua de 5 km e 10 km sem premiação em dinheiro.

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Isso fez com que eu me sentisse um atleta profissional pisando naquela pista. Saí junto com os outros corredores, mas durou poucos metros. Logo na primeira curva, o pelotão principal já tinha se distanciado. Percebi que dificilmente iria para a bateria final. Tracei outro objetivo: atingir a minha velocidade máxima sem quebrar.

Pode parecer até estranho, e não sei se aconteceu com outras pessoas, mas por estar no limite físico e mental, não sabia em que momento da prova estava. Percebi que estava prestes a completar as quatro voltas na pista de 400 m quando o GPS avisou que já havia percorrido 90% do percurso. No final das contas, fui ao meu limite mesmo. Se tivesse mais uma volta, acho que desmaiaria. Fiquei em 24º lugar, com o tempo de 6min02seg, em um ritmo 3:50 min/km.

correr uma milha

Assumo, senti orgulhoso de mim. Parece clichê, mas vou repetir: nunca me imaginava correndo, muito menos nessa velocidade. Gente, corri a 15,7 km/h. Óbvio que é possível melhorar e que tem muitos corredores bem mais rápidos. Porém, para mim, é algo surreal ainda. Provas como essa são muito intensas. Você corre durante todo o trajeto com o coração na boca, em um ritmo alucinante. E eu consegui completar com louvor.

A New Balance acertou em cheio ao trazer e realizar o Mile Challenge no Brasil. Abriu as portas para o novo e conquistou, ainda mais, os amadores como eu. A EpicSports, organizadora da prova, também arrasou. Montou toda a estrutura necessária para receber muito bem os atletas, que ficaram horas ali no evento, esperando a realização de diversas baterias até disputar as finais. Que venham mais dias levantando cedo para correr só 1,6 km!

* Gastando o Tênis Ludmila Quirino encontrou na corrida a cura para a depressão e para a obesidade. Murillo Nascimento cansou de ficar esperando na chegada e decidiu compartilhar as largadas. Desde então, o casal se divide entre os treinos, provas, o trabalho e a criação do pequeno Álvaro. Eles contam suas histórias na corrida aqui e no Instagram @gastandootenis