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A realização de um sonho na Volta da Pampulha

No começo do ano, quando mal conseguia correr 5K, Murillo traçou como meta completar os 18 km da prova mineira. E conseguiu!

Gastando o tênisPor
Gastando o tênis

Volta da Pampulha

Não sou um atleta profissional. Também não sou fitness e musculoso. Para ser sincero, provavelmente, nunca serei. Mas me esforço bastante para melhorar meu desempenho e ser feliz. A corrida me proporcionou outra realidade de vida, e ainda me deu a possibilidade de me desafiar sempre. A prova do último domingo (03/12) é um exemplo claro disso: completei a Volta Internacional da Pampulha em um tempo inimaginável e cruzei a linha de chegada sorrindo.

Sou uma daquelas pessoas que traça um objetivo e batalha duro para realizá-lo. Confirmei minha inscrição na principal prova de Belo Horizonte em janeiro, assim que abriram as inscrições.

Só para vocês terem ideia, nessa época eu não tinha completado mais do que três provas na vida. Pior: sequer conseguia correr 5 km sem caminhar. Sofria com a respiração e tinha acabado de descobrir que um dos ligamentos do meu joelho estava parcialmente rompimento. Na balança, o ponteiro ainda marcava três dígitos. Pesava 105 kg e ficava ofegante até para calçar o tênis. Mesmo assim, sonhava em participar dos 18 km da Volta da Pampulha.

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Na minha cabeça, teria tempo suficiente para chegar à Lagoa e concluir a prova. A ideia era terminar, do jeito que desse, no que tempo que fosse… Para ser sincero, imaginava que seria sacrificante, doído, mas possível. O tempo foi passando, alcancei alguns objetivos na minha vida e possibilidades se abriram na corrida. Fiz a primeira meia maratona, a segunda, a terceira. Na quarta, consegui correr meus melhores 21 km.

EMOÇÃO NA CAPITAL MINEIRA

Cheguei a Belo Horizonte feliz por saber que não sofreria tanto quanto imaginava, mas sem pretensão de um desempenho espetacular. A ideia, inclusive, era correr ao lado de Ludmila. Mas ela ficou fora da prova por causa de uma lesão no quadril.

Larguei ao lado daquela multidão de gastadores de tênis. Cada um com uma história diferente, mas todos com o mesmo objetivo. Fiquei feliz ao ver tanta gente nas ruas de BH, aplaudindo e incentivando os corredores. Foi o empurrão que precisava para terminar bem a Volta da Pampulha. Completei os 18 km em 1h26min, em um ritmo de 4:45 min/km. Não canso de dizer. Pouco tempo atrás, não me imaginava correndo essa distância. Muito menos nessa velocidade. Só por aí você já consegue medir a minha felicidade ao cruzar a linha de chegada.

Volta da Pampulha

Poder sentir essa alegria é o mais importante para mim no esporte, não o tempo final de uma competição. Eu corro para ser feliz. Se não for para terminar sorrindo e comemorando, nem largo. Óbvio que gosto de melhorar meus recordes, chegar ao limite e me desafiar. Mas, antes de tudo, corro por prazer, não por obrigação. Passei por muitos obstáculos para chegar até aqui. E, tenho certeza, que várias outras dificuldades aparecerão. Acredito que também deve ser assim para você.

Então, saiba que sempre é possível enfrentar os problemas, as dificuldades, a falta de tempo para treinar e ser feliz correndo. Sim, é possível arrumar. Sim, conseguimos traçar objetivos e batalhar por eles. Só precisamos não ter medo de ir atrás dos nossos sonhos. O meu próximo? Quem sabe Ludmila e eu não viramos maratonistas em 2018.

* Gastando o Tênis Ludmila Quirino encontrou na corrida a cura para a depressão e para a obesidade. Murillo Nascimento cansou de ficar esperando na chegada e decidiu compartilhar as largadas. Desde então, o casal se divide entre os treinos, provas, o trabalho e a criação do pequeno Álvaro. Eles contam suas histórias na corrida aqui e no Instagram @gastandootenis