compartilhe

0

Colunistas

Rumo à Maratona de Paris: os obstáculos de um casal na busca pelos 42k

Falta de tempo, treinos exaustivos, ansiedade e cansaço mental: casal relata dificuldades da preparação para a primeira maratona

Gastando o tênisPor
Gastando o tênis

Depois de percorrer muitos quilômetros, correr inúmeras provas e completar onze meias-maratonas ao todo, eu e a Ludmila, minha esposa, decidimos enfrentar um desafio ainda maior e realizar um grande sonho: correr uma maratona. Daqui menos de 30 dias largaremos na Champs Elysées para desbravar os 42,195 metros de uma das cidades mais bonitas do mundo, na Maratona de Paris.

Uma vez nos disseram que a maratona era um “chamado” e que não precisaríamos ter pressa. Saberíamos reconhecer que o momento tinha chegado. E ele chegou! Sempre vislumbramos esse desejo, mas ainda não o tínhamos reconhecido como atingível. Assim como correr os primeiros 5 km sem parar, participar de uma maratona parecia distante demais para dois amadores, que pouco tempo atrás eram sedentários e obesos.

Durante todos esses anos de corrida, nos descobrimos. Mudamos nossa vida e ganhamos mais saúde e disposição para enfrentar os obstáculos do dia a dia, seja no trabalho, na vida pessoal ou no esporte. A corrida nos fortaleceu e nos mostrou que éramos capazes de realizar qualquer sonho. Foi aí que percebemos que havia chegado nosso momento.

Iniciamos a preparação específica para a Maratona de Paris no começo de 2019. Sabíamos que não seria fácil conciliar treinos, casa, profissão e vida social. Imagina: se já é difícil com uma pessoa da casa se preparando, imagine para um casal. Nos desdobramos para encaixar os treinos, mas, acima de tudo, para não deixar nenhuma ponta solta nos outros pilares das nossas vidas.

Cada um tem quatro treinos de corrida por semana, além de dois dias de fortalecimento na academia, pilates, bike indoor, sessões de fisioterapia, consultas médicas e uma reeducação alimentar. Ufa! Fico cansado só de pensar. É uma rotina agitada, mas está dando certo.

Durante esse processo de preparação, a Ludmila descobriu uma pequena lesão no lábio acetabular, uma inflamação na cartilagem articular na parte interna do quadril onde o fêmur se encaixa. Nada que a tirasse dos treinos. Ela teve que reprogramar a quilometragem, diminuir um pouco o ritmo e seguir todas as orientações do ortopedista e do fisioterapeuta. O susto passou e ela segue firme na preparação.

A fisioterapia, por sinal, foi a nossa grande descoberta na preparação para a Maratona de Paris. Não que desconhecêssemos a eficácia, mas encontramos um profissional à altura do nosso desafio. O Guilherme Panuncio faz um trabalho individualizado e especializado. Logo na primeira sessão, realizou uma série de avaliações buscando desequilíbrios que estivessem comprometendo nosso desempenho e até causando dores. Desde então, tem nos auxiliado na correção desses pontos, na recuperação muscular e ajudando a prevenir eventuais lesões ao longo da preparação.

Além do trabalho do Guilherme, as ações da Simony Chiaperini, médica do esporte, os treinos do Rafael Guedes e a competência da equipe da Catharina Mendes, responsável pela nossa reeducação alimentar específica para essa preparação, têm nos dado o suporte e confiança para enfrentar os desafios desse sonho.

Nesta reta final, os longos começam a ficar intermináveis. Vira rotina levantar da cama e sentir a reclamação de um músculo. O sono pesa durante todo o dia e o cansaço bate para valer. E não é só o cansaço físico, não. Talvez seja mais mental, inclusive. Você precisa lutar contra os “nãos” da cabeça com mais frequência – o “não” que fala para dormir um pouco mais em vez de sair com o dia amanhecendo para correr, o “não” que pede para você abortar o treino.

Estamos enfrentando essa batalha com foco, determinação e resiliência. Agora falta pouco para realizar nosso grande sono. Vem com a gente? Para acompanhar a reta final da nossa preparação, acesse nossa página no Instagram.