compartilhe

0

0

Colunistas

A nossa primeira São Silvestre juntos

Após duas tentativas, finalmente completamos uma prova lado a lado

Gastando o tênisPor
Gastando o tênis

Sei que a São Silvestre 2017 já está na boca dos corredores há algum tempo, mas não poderia deixar de registrar nossa primeira experiência juntos, ainda mais que esta foi minha estreia na corrida (Ludmila correu em 2016).

Foi a São Silvestre da alegria! Sim, é mágico. Pode até parecer melodramático demais, mas a São Silvestre, carregada de história e simbolismo, é uma prova diferente. Você quase não consegue correr nos primeiros quilômetros, ultrapassa e é ultrapassado por corredores fantasiados, enfrenta o calor do meio da manhã, mas termina a corrida feliz da vida.

Em 2016, quando a Ludmila correu, fui junto para a Paulista para acompanhá-la. É bacana ser espectador, ver de fora a vitória de cada um dos atletas. Mas é sensacional ser corredor, estar no meio daquela multidão de gente.

Neste ano decidimos que iríamos juntos do começo ao fim. Já tentamos fazer isso na Meia do Rio, mas acabei me machucando. Depois foi a vez de a Ludmila se lesionar e perdemos a oportunidade de correr juntos a Volta da Pampulha.

Nossa última chance era a São Silvestre 2017. E deu certo! A Lud ainda estava se recuperando da bursite no quadril e teve pouco tempo para treinar. Assim, fomos para curtir. A ideia era aproveitar cada quilômetro.

Hora da largada!

Chegamos com tempo na Avenida Paulista para perceber que os bloqueios criados pela organização estavam funcionando perfeitamente. Os staffs orientavam os corredores mais perdidos e tudo fluiu tranquilamente.

Ainda tivemos tempo de acompanhar de perto o aquecimento dos atletas de elite: um espetáculo à parte. Eles mostram um poder de concentração absurdo nos 45 minutos que antecedem a largada. Quase não conversam e, talvez, nem enxerguem o que está acontecendo ao redor.

MAIS
A realização de um sonho na Volta da Pampulha
O desafio de correr uma milha

Entre os meros mortais estávamos nós loucos para largar. A primeira emoção vem com a entrada no túnel que dá acesso à Avenida Dr. Arnaldo. O povo assistindo e gritando, o coro dos corredores… é de arrepiar. A chegada ao centro de São Paulo é algo fantástico. A Praça Princesa Isabel, a Praça da República, o Teatro Municipal, a Prefeitura, o cruzamento da Avenida Ipiranga com a São João e, por fim, a Câmara Municipal.

É verdade que você passa boa parte da prova pensando na “temida” subida da Avenida Brigadeiro Luís Antônio. A contagem no GPS é para saber quantos quilômetros faltam para aquele trecho da prova. Quando você dobra à direita e começa a subir… outra emoção. Ok, ela não é tão temida assim, mas que perdure essa ideia por muito tempo ainda, pois é bacana passar por esse obstáculo.

Ver o cruzamento com a Avenida Paulista é a consagração. É a certeza de que tudo foi perfeito e de que você está perto de realizar um sonho. Sim, a São Silvestre foi a realização de um grande sonho para a gente e cruzar juntos teve um significado ainda mais especial. O tempo nesta São Silvestre 2017? Não importa. O que valeu mesmo foi a consagração de um ano cheio de novidades e muitos quilômetros acumulados.

O ano de 2017 foi generoso com a gente. Corremos em diversas cidades do país, fizemos amigos em todos os cantos e consolidamos nossa mudança de vida. E bora gastar o tênis porque tem um ano todinho pela frente.

Pipocas na São Silvestre 2017

Não dá para falar da São Silvestre 2017 sem citar a farra dos números de peito. A Yescom prometeu identificar e banir os atletas que burlaram as regras, assim como a assessoria esportiva responsável por esses corredores. Que seja feito!

Copiar o número de peito foi o maior absurdo que presenciei desde que comecei a correr. Saber que não foi uma novidade é pior ainda. Pipocam na internet fotos de ações parecidas com essa em 2014, 2015 e 2016. Que 2018 seja diferente! Que as pessoas se conscientizem e façam apenas o que é certo nesse ano.

* Gastando o Tênis Ludmila Quirino encontrou na corrida a cura para a depressão e para a obesidade. Murillo Nascimento cansou de ficar esperando na chegada e decidiu compartilhar as largadas. Desde então, o casal se divide entre os treinos, provas, o trabalho e a criação do pequeno Álvaro. Eles contam suas histórias na corrida aqui e no Instagram @gastandootenis