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Medicina esportiva

Quando usar calor e frio na recuperação muscular?

As temperaturas atuam de maneira diferente na origem e no sintoma da dor. Saiba como e quando recorrer a cada uma

Redação WRunPor
Redação WRun

Por Juliana Vaz

Todo atleta, amador ou profissional, sente dor muscular em algum momento da rotina de treinamento, seja por causa de uma lesão ou sobrecarga excessiva. O mais comum é depois de uma sessão intensa de exercícios: o esforço físico causa microlesões nas fibras musculares e o próprio sistema sanguíneo leva os nutrientes necessários para reparar esses “machucados”.

Conhecida como dor tardia, esse tipo de desconforto surge de 24 a 48 horas após a atividade física como uma forma de o organismo sinalizar que precisa de um tempo para se recuperar. O normal é diminuir aos poucos, em cerca de cinco dias. Se até lá o desconforto for muito grande, você sabe qual compressa aplicar – quente ou fria? Os fisioterapeutas aconselham o uso de compressa (ou bolsa de água) quente, que vai agir nos tecidos de modo a relaxar as tensões e acelerar a recuperação muscular.

Mas há outras situações associadas à corrida que podem resultar na necessidade de usar termoterapia — tratamento com base na mudança de temperaturas.  . Também é possível que a orientação seja alternar calor e frio em uma mesma sessão – como no caso de lesões com inchaço, por exemplo. Entenda mais sobre o assunto.

Frio

É usado para minimizar sangramentos (pois o calor contrai os vasos sanguíneos) e os efeitos de processos inflamatórios na musculatura, como dor aguda, perda de mobilidade e inchaço. “O frio tem como função evitar que a lesão se espalhe, o que ocorre pelo efeito de vasoconstrição, que diminui a circulação no local”, explica a fisioterapeuta Bárbara Alves, da Physioway Fisioterapia, de São Paulo.

De acordo com um estudo publicado no periódico Journal of Sports Medicine, o uso de crioterapia (terapia à base de resfriamento) tem bons resultados no curto prazo para aliviar a dor pós-atividade física intensa. É por isso que tem sido cada vez mais comum ver atletas (de corrida e outras modalidades) mergulhando os membros inferiores ou o corpo inteiro em recipientes cheios de gelo após treinos e provas. Nesse caso, a temperatura deve ficar entre 8 e 10°C e o limite de permanência nessas condições deve ser de 10 minutos.

Nas clínicas especializadas, existem equipamentos de alta tecnologia como criocompressão, que associa compressão à aplicação de frio. Como nas botas que contam um sistema de circulação de água que alcança e mantém a temperatura baixa por um tempo determinado, ao mesmo tempo em que faz uma compressão na musculatura das pernas.

Além disso, é possível que você já tenha visto nas redes sociais uma espécie de câmara de metal em que o atleta entra e o ambiente é envolto por uma névoa branca. Trata-se da whole body cryotherapy (algo como crioterapia no corpo inteiro), que virou moda entre atletas de diversas modalidades nos Estados Unidos e na Europa.

A tal câmara é resfriada com nitrogênio e alcança até -160 °C. Nela o paciente deve permanecer por cerca de três minutos apenas. Afirma-se que a baixíssima temperatura aciona as células de defesa do organismo, acelerando a recuperação. No entanto, não há conclusão científica sobre a eficiência do tratamento. Um levantamento realizado pela fundação britânica Cochrane, que realiza pesquisas científicas voltadas para a saúde, diz que, na verdade, ele pode piorar a dor e a fadiga muscular.

Faça em casa
Prefira usar gelo a bolsa de gel. “O gelo de verdade mantém a temperatura por mais tempo que o acessório. Faça uma compressa local, se possível, com o membro elevado, por 15 a 20 minutos” recomenda Bárbara. Dependendo da intensidade da dor, você pode repetir o procedimento a cada três horas. O fisioterapeuta Rodrigo Iglesias, sócio do Insport, em São Paulo, enfatiza que a bolsa de gelo congela em temperaturas abaixo de zero e isso pode ferir a pele. “A dica é envolvê-la em um plástico. Então, deslize-a sobre o local diversas vezes em vez de só repousar a compressa sobre a pele”, detalha.

Calor
“Tem efeito vasodilatador, ou seja, aumenta a circulação sanguínea local, colaborando para relaxar a musculatura. Aplicado em regiões específicas, alivia os chamados pontos gatilho, onde a tensão fica acumulada”, explica Bárbara. Como facilita a ativação dos músculos, alguns atletas utilizam pomadas que geram calor local para antes da prática esportiva, ajudando (sem excluir!) os exercícios de aquecimento.

Entretanto, como os atletas amadores nem sempre contam com um especialista por perto, Rodrigo Iglesias aconselha: em caso de dúvida, opte pelo frio. “Caso aplique calor em uma lesão, o quadro pode agravar em vez de diminuir a inflamação.” Já o oposto (aplicar frio quando a indicação seria calor) é menos prejudicial.

Faça em casa
No banho quente, aproveite para massagear a musculatura. Ou, então, aplique bolsa de água quente uma manta térmica sobre a região.