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Medicina esportiva

5 exames pouco conhecidos que ajudam a correr melhor

A ciência esportiva pode dar uma mãozinha para você ajustar a postura, o treinamento, a mobilidade e a nutrição

Denis FonsecaPor
Denis Fonseca

exames para correr melhor

Eletrocardiograma, ergométrico, ergoespirométrico, teste de pisada, colesterol, glicemia… A lista de exames que os corredores devem realizar para praticar o esporte de forma saudável é enorme — e conhecida pela maioria dos atletas amadores. Há, entretanto, outros testes que podem ajudar muito a evolução na corrida. Veja quais são:

1 – ANÁLISE DE LACTATO

O que é? O acúmulo no organismo de lactato, substância que fornece energia para as células sem a presença de oxigênio, pode gerar uma hiperacidez no sangue, causando fadiga, dores musculares e queda de rendimento.

“Atletas de explosão têm uma capacidade gigantesca de suportar e eliminar rapidamente o ácido lático, enquanto os de resistência têm menor tolerância. Isso interfere bastante no trabalho de força e velocidade”, explica Darlan Duarte, treinador da assessoria esportiva Pacefit.

Por que fazer? Analisar a dosagem de lactato no corpo do atleta durante o exercício permite equilibrar melhor a intensidade do treino. É possível, por exemplo, determinar com precisão os dias em que você deve acelerar, correr leve ou descansar. Também dá para saber exatamente quais são suas faixas de frequência –– algo importante para definir a intensidade de treinos que contribuem para o ganho de resistência e velocidade.

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2 – BAROPODOMETRIA

O que é? Exame que avalia os pés do atleta tanto na posição ortostática estática (parado, em pé) quanto dinâmica (correndo). “Diferentemente de testes de pisada mais simples, ele define “o tipo de pé (cavo, plano ou normal), o tipo de pisada (neutra, pronada ou supinada) e analisa toda a distribuição da pressão plantar”, ensina Alessandra Masi, ortopedista, traumatologista do esporte e pós-graduada em fisiologia. “O teste da pisada feito em algumas lojas de tênis é uma baropodometria, porém mais simples. Esse exame é mais completo”, complementa Moisés Cohen, chefe do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Unifesp e diretor do Instituto Cohen de Ortopedia, Reabilitação e Medicina do Esporte.

Por que fazer? Por meio da captação de imagens, é possível identificar se o corredor possui algum desequilíbrio postural ou muda o posicionamento do corpo para compensar a pressão em determinada parte do pé. “A partir da avaliação, o fisioterapeuta confecciona palmilhas com uma criteriosa análise  postural. Elas podem amenizar e corrigir alterações nos pés, nos joelhos, no quadril e na coluna”, diz Alessandra. Esses desvios de pisada ou posturais, além de aumentarem o risco de lesão, podem fazer com que o corredor tenha um maior gasto de energia (e perda de rendimento) no exercício.

3 – AVALIAÇÃO 3D

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O que é? Parece coisa futurista ou só para atletas de ponta, mas a avaliação 3D é algo acessível. Nela, você passa por uma série de testes para identificar desequilíbrios posturais que podem gerar lesões ou diminuir o rendimento.

Na primeira parte do teste, a estática, o atleta recebe marcadores retrorrefletidos por todo o corpo, que transmitirão uma imagem virtual para um computador. Depois disso, é hora de correr “vigiado” por câmeras tridimensionais espalhadas pelo consultório. “Pela imagem 3D, analisamos os movimentos dos pés, dos tornozelos, dos joelhos, do quadril, da pelve e da coluna”, explica Andreia Miana, fisioterapeuta do Instituto Vita.

Por que fazer? Permite ter uma ideia bastante aprofundada de como o corpo se comporta durante a corrida. “Conseguimos identificar desequilíbrios que podem causar desconforto ou lesão. Um corredor que sente dor na lateral do joelho, por exemplo, pode apresentar durante o movimento uma inclinação exagerada da pelve, que está gerando a tensão ma banda iliotibial. Ao verificarmos esse tipo de padrão, tomamos medidas (trabalho de fortalecimento, alongamento) para reequilibrar esse déficit”, indica Andreia.

Além de encontrar problemas de postura, a avaliação 3D avalia a oscilação vertical (quanto seu corpo sobe durante a passada). “Se essa movimentação for exagerada, há um grande gasto de energia, o que prejudica o desempenho.”

4 – FUNCTIONAL MOVIMENT SCREEN (FMS)

O que é? Um sistema de avaliação física aplicado pelo próprio preparador físico, para medir a estabilidade e mobilidade do corredor. O FMS é feito por meio da aplicação de sete exercícios:  Hurdle Step, In-Line Lunge, Shoulder Mobility, Active Straight Leg Raise, Trunk Stability Push Up e Rotary Stability.

“Cada exercício tem um score em que zero significa movimento ruim ou não realizado e três significa movimento excelente. A soma dos pontos dará o nível de equilíbrio ideal e quais ações devem ser tomadas para a evolução do atleta”, detalha Darlan Duarte.

Por que fazer? Melhora a postura na corrida e também no dia-a-dia. Muitos atletas podem nem notar, mas a todo o momento estão sujeitos a pequenas compensações no movimento por conta da posição inadequada do corpo. “Com o FMS observamos a harmonia e a simetria nos padrões de movimento, evitando desequilíbrio nas passadas. O teste ajuda o corredor a identificar fraquezas, encurtamentos e desequilíbrios em diversas partes do corpo, que contribuem para lesões ou falta de evolução. Ou seja, você ‘endireita’ seu corpo para render mais”, diz o treinador da Pacefit.

5 – ANÁLISE DE DNA

O que é? Não, não é coisa de filme de ficção científica. A análise do DNA é um processo simples e que permitirá ao corredor melhorar diversos aspectos fisiológicos e nutricionais. “O exame de DNA é muito simples, feito por meio da análise da saliva. Após o material ser colhido, o resultado fica pronto em torno de 15 dias”, resume Guilherme Renke, da clínica Nutrindo Ideais.

Com o teste, é possível estimar a prevalência de fibras musculares (rápidas ou lentas), bem como a capacidade oxidativa (geração de energia), o potencial de recuperação muscular, a fadiga etc. Esses parâmetros ajudam o atleta a planejar melhor seu treino. Também contribui para definir em que tipo de prova (5K ou maratona, por exemplo) ele pode se dar melhor.

Por que fazer? Funciona quase como uma previsão do futuro. Ainda que pareça exagero, com a análise do seu DNA você pode descobrir quais são as lesões musculares e de tendões que tem maior risco de desenvolver, além de aperfeiçoar o treinamento, como já falamos.

A análise de DNA também auxilia na prescrição nutricional, definindo a dose ideal de nutrientes e até de suplementos. “O exame ajuda a guiar, por exemplo, a suplementação de cafeína. As pessoas metabolizam a substância em velocidades diferentes. Com o teste, você consegue saber quanto precisa consumir para obter ganhos durante todo o treino”, explica Guilherme.