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Prática de corrida contribui para redução da osteoporose

A prática de musculação, também contribui para aumentar a densidade óssea

Redação WRunPor
Redação WRun

A osteoporose está relacionada à perda da densidade óssea. Quanto mais “poroso” for o osso, maior o grau da doença. O que poucos sabem é que a atividade de corrida contribui para combatê-la e até impedir sua evolução. Isso porque os impactos ao longo das passadas estimulam a consolidação do cálcio nos ossos, favorecendo seu fortalecimento.

A doença aparece pela alteração do comportamento das células que “fabricam o osso” (osteoblastos) e as que absorvem o osso (osteoclastos). Em uma pessoa sem nenhuma doença, e abaixo dos 40 anos de idade, com o estímulo da atividade física e dos hormônios, os osteoblastos trabalham mais que os osteoclastos, ganhando a guerra entre a produção e a absorção óssea.

A prática dos exercícios de fortalecimento, como a musculação, também contribuem para aumentar a densidade óssea pois a contração muscular estimula as células ósseas a ficarem mais fortes para aguentarem a carga de exercícios diários. Praticar corrida e outros exercícios, aliando-os a uma boa alimentação e a uma exposição ao sol diária, são fatores que contribuem para reduzir os riscos de desenvolver a doença, ou ver seus sintomas piorarem.

Uma vez que a corrida é praticada ao ar livre, torna-se fácil aliar exercício e exposição ao sol, favorecendo a produção de vitamina D e, por consequência, a absorção de cálcio.

É importante sempre lembrar que, caso haja uma predisposição à doença, a prática da corrida precisa ser feita sem grandes impactos. Esforços exagerados, como correr longas distâncias muitas vezes na semana, ou realizar atividades aeróbicas muito intensas, por muitas vezes, sem o devido descanso, causarão desgaste nos ossos, em vez de fortalecê-los. O que, por sua vez, irá piorar o quadro clínico.

Com o envelhecimento e/ou o aparecimento de algumas doenças, os osteoblastos diminuem sua atividade, produzindo menos células ósseas que antes, de tal modo que os osteoclastos mantenham seu trabalho normal, ou até aumentem sua atividade, absorvendo estas células. Esse desequilíbrio pode ser normal quando o exame de Densitometria Óssea acusa uma diminuição de até um desvio padrão da média da população.

Nos estágios mais avançados da doença, podem ocorrer fraturas patológicas, como fratura da coluna, ou do fêmur proximal, por uma queda simples ao solo. Quando o osso está extremamente enfraquecido, fraturas espontâneas também podem ocorrer.

Nesse sentido, promover o fortalecimento muscular aliado à corrida ajuda a reduzir os impactos. Quando a musculatura está fraca, mais energia do impacto da passada, ou do salto, é transferida para ligamentos e articulações. No desenrolar dos meses, aquela pequena sobrecarga extra pode lesionar cartilagens e ligamentos.

Um músculo resistente ajuda a prevenir lesões e manter-se com a movimentação e a biomecânica adequada. É necessário fazer um novo estímulo muscular resistido (musculação ou funcionais) a cada 48-72 horas para manter os ganhos dos seus treinos anteriores, caso contrário o corpo entende que você não precisa mais “compensar” o esforço realizado e começa a atrofiar a musculatura.

Pessoas mais jovens também podem desenvolver a doença. Contudo, normalmente estão relacionados a distúrbios hormonais, doenças renais ou de absorção de nutrientes. Em pacientes sem nenhuma outra doença associada, as mulheres podem apresentar os sintomas de osteoporose a partir dos 50 anos e os homens a partir dos 65 anos.

Entre fatores de risco, estão a idade mais avançada (a partir de 50 anos em mulheres e 65 em homens), a precocidade do início da menopausa, a hereditariedade, história pregressa de fraturas osteoporóticas, erros nutricionais (baixa ingestão de cálcio, baixa ingestão de vitamina D3, situações para má absorção de alimentos etc.), maus hábitos (ingestão exagerada de café, álcool, tabaco), sedentarismo, certas medicações (glicocorticoides, anticonvulsivantes), doenças como a artrite reumatóide e quase todas as doenças inflamatórias sistêmicas.

A doença acomete ambos os sexos, mas mulheres têm uma predisposição a terem a doença mais cedo, devido à perda do fator protetor hormonal com a chegada da menopausa. Nos homens, a testosterona mais elevada é um fator protetor e a taxa de queda da produção hormonal é muito mais lenta.

*Dr. Leandro Gregorut é Ortopedista, especialista em joelho, ombro e cotovelo, na Clínica MOVITÉ e no Hospital Sírio Libanês. Especialista em Medicina Esportiva pela Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte. Já atuou como médico da seleção brasileira de handebol.