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50 maratonas em um ano: a história de Marcos Mourão

Ultramaratonista paulista pretende concluir seu desafio pessoal na Cosan SP City Marathon 2019

Daniel VelosoPor
Daniel Veloso

O ultramaratonista paulista Marcos Mourão (49) decidiu comemorar 50 anos de idade de uma maneira diferente:  correr 50 maratonas no espaço de um ano. Em conversa com o Sua Corrida, ele contou histórias e detalhes sobre a trajetória, que chega ao fim em julho.

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Experiência em provas de resistência

A ideia parece loucura, mas o professor de educação física e mestre de capoeira já está acostumado a levar o corpo ao limite. Em 2010, quando completou 40 anos, fez o IRONMAN de Florianópolis, prova que reúne natação, ciclismo e corrida. O evento foi marcante: “Assim que terminei, me apaixonei pela experiência de passar longos períodos fazendo atividade física”, explica.

Leia mais sobre a etapa do IRONMAN® 70.3 2019 que aconteceu em Florianópolis

Além disso, nos últimos 23 anos, Marcos completou 40 maratonas e 20 ultramaratonas. O paulista conta que voltou para as corridas de rua pelo fato de sentir que é a modalidade onde performa melhor.

Começo e fim na Cosan SP City Marathon

A prova escolhida para marcar o começo e o fim do desafio foi a Cosan SP City Marathon. Ele explica os motivos: “Eu considero que, das provas no Brasil, a melhor é a Cosan SP City Marathon. Já participei duas vezes e fiquei bastante impressionado com a de 2018, onde comecei o desafio, tanto com a estrutura quanto com os cuidados nos detalhes da prova”.

Marcos na Cosan SP City Marathon 2018, a primeira das 50 maratonas (Foto: Arquivo pessoal)

Obstáculos durante a jornada

Um desafio desse tamanho sempre vem acompanhado de dificuldades e surpresas durante a realização, e o de Marcos não foi exceção. A falta de patrocínio fez com que o atleta arcasse com a maioria dos custos: cinco pares de tênis, 250 géis energéticos, gelo para a banheira após as provas e viagens. Um dos poucos apoios de material que ele teve foi dado em forma de camisetas temáticas para cada prova.

O ultramaratonista sofreu poucas dores físicas relevantes, um dos grandes trunfos para conseguir seguir com o ritmo forte. A única dor forte durante uma corrida aconteceu na segunda prova, quando Marcos sofreu uma contratura na parte posterior da coxa.

A maior dor do período, no entanto, foi a perda do pai, em dezembro de 2018. Marcos conta que esperava que ele assistisse o final do desafio: “Passei por um processo de tristeza e luto, mas superei. Eu sinto a presença dele em vários momentos e tenho certeza que está orgulhoso de mim”, diz.

A rotina para conseguir finalizar o desafio

Nem sempre o ultramaratonista corre provas oficiais. Nesses casos, ele marca os 42,2km com a ajuda de um aplicativo, em trajetos variados. Aos sábados, Marcos costuma correr em lugares mais familiares, como parques. Quando corre em outras cidades, o percurso escolhido é o de rodovias. Aos domingos a escolha é mais aberta: “Vou descobrindo novos caminhos durante a corrida” conta.

Muitos trajetos foram pensados com um tema especial na vida de Marcos. Alguns exemplos são a maratona por lugares nos quais ele já morou em São Paulo e a maratona com amigos da faculdade no campus da USP.

Marcos e os amigos da época de faculdade em uma das maratonas temáticas (Foto: Arquivo pessoal)

Mesmo com a capacidade física privilegiada, Marcos precisou de algumas ajudas durante o desafio. Ele passou por massagens, consultas cardiológicas, exames laboratoriais e assessorias de corrida em geral no período. A alimentação não foi muito alterada durante este tempo: “Só presto atenção com alimentos mais salgados, tento evitar o sal” diz. Além disso, a hidratação durante a semana e no pós-prova teve um aumento, para compensar a maior perda devido ao desgaste físico intenso.

Próximas etapas

Depois de completar as 50 maratonas, Marcos planeja dar tempo para o corpo descansar, mas avisa que não sabe se vai aguentar ficar longe da corrida por muito tempo: “Tenho me sentido muito bem, já prevejo que sofrerei uma crise de abstinência das maratonas”, brinca.

O próximo passo no planejamento dele é voltar para as ultramaratonas, e talvez quebrar seu recorde pessoal de 142 km correndo. Um de seus próximos projetos é fazer um percurso começando em São Paulo e terminando em Ubatuba (SP), cidade de sua infância. O trajeto de mais de 200km servirá para comemorar os 60 anos do atleta.

Através de sua história, Marcos pretende inspirar pessoas para que tomem decisões e tentem dar o seu melhor todos os dias. Ele dá o conselho para quem quiser seguir seus passos: “Queira ampliar os seus limites, conheça a si próprio e trabalhe nas possibilidades pessoais. Um feito desse nível deve ser tentado com muito estudo e preparo”.

A menos de dois meses para finalizar as 50 maratonas, Marcos está muito perto do objetivo. A equipe Iguana Sports deseja força para as últimas etapas e esperamos encontra-lo no dia 28/07 na Cosan SP City Marathon para registrar esse momento especial.