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Glossário de corrida: aprenda a falar a língua do esporte

Tem que fazer muito fartlek e não bater no muro para conseguir o BQ (*). Entendeu? Calma, vamos decifrar os termos mais usados na língua da corrida

Redação WRunPor
Redação WRun

Por Yara Achôa*

Quando a gente entra em um novo universo, é normal não entender alguns termos e não saber como agir e conversar em certas situações. Uma corredora iniciante, por exemplo, ao ser indagada pela primeira vez sobre seu “número de peito” pensou se tratar do tamanho do sutiã – e deu risada ao entender quer era apenas o número que nos identifica nas provas, que vai grudado na camiseta na altura do peito. Como ninguém nasce sabendo nem é obrigado a adivinhar, preparamos um pequeno dicionário com o vocabulário mais usado por corredores e treinadores nas mais diversas situações. Será que você conhece essa língua?

(*) Traduzindo: tem que fazer muito um treino que alterna ritmos dentro de um mesmo treino (fartlek) para enfrentar a sensação de esgotamento que costuma aparecer volta do quilômetro 30 de uma maratona (bater no muro) e assim conseguir o índice que o qualifica para a Maratona de Boston (BQ = Boston Qualifying).

TERMOS USADOS EM TREINOS E PROVAS

Altimetria: é o “retrato” das subidas e descidas do percurso de uma prova. Geralmente é representada por gráficos ou mapas.

BQ: Boston Qualifying ou qualificação para Boston. A maratona mais tradicional do mundo exige do corredor uma comprovação de tempo (índice), conforme a faixa etária, por meio de uma marca obtida em uma prova reconhecida pela organização em Boston – o BQ.

Cadência: é o número de passos que o atleta dá por minuto de corrida. Um número que os especialistas apontam como ideal é 180 passos por minuto (ppm).

Crioterapia: terapia com gelo, indicada para recuperação após um treino extenuante. O corredor entra em um tonel de gelo e fica por alguns minutos.

Educativos: são exercícios que ajudam a desenvolver e aprimorar o movimento utilizado para a corrida (biomecânica), o equilíbrio e a postura.

Fartlek: palavra de origem sueca, significa “jogo de velocidade”. Por aqui também é conhecido como “forteleque”. Basicamente a “brincadeira” é alternar a intensidade (velocidade) em uma corrida contínua. Por exemplo: você corre forte por uma distância curta, depois corre mais devagar para se recuperar, alternando períodos de esforço moderado e difícil com trechos de esforço fácil.

FC Max: frequência cardíaca máxima ou número máximo de batimentos cardíacos no espaço de um minuto durante o esforço.

Gel (de carboidrato): suplemento disponível em sachê recomendado para a corrida por sua praticidade e por fornecer energia e ajudar na recuperação dos músculos. Deve ser consumido a cada 40 ou 50 minutos de esforço.

Intervalado: tipo de treino que consiste em correr uma curta distância em esforço máximo (quando se atinge o máximo da respiração, a ponto de ser impossível manter uma conversa) seguida por um tempo de recuperação igual ou um pouco mais longo. Por exemplo: dois minutos de corrida com esforço intenso seguidos de dois a três minutos de caminhada fácil para recuperar o fôlego.

Longo: é o treino com maior quilometragem ou duração na semana. Apesar de algumas pessoas considerarem longos somente aqueles com mais de 20 quilômetros, especialistas dizem que não existe uma distância ou tempo mínimo. Ele pode ter 20 ou 30 quilômetros para quem se prepara para uma maratona ou 60 minutos para quem vai encarar seus primeiros 10K. É o treino que ajuda a desenvolver resistência muscular, condicionamento aeróbico e adapta o organismo para a prática de atividades prolongadas.

Muro ou urso: bater no muro ou sentir que está carregando um urso nas costas é a sensação de esgotamento que costuma aparecer para o corredor por volta do quilômetro 30 de uma maratona. Especialistas apontam esse momento como o ápice da escassez de glicogênio (fonte de energia armazenada nos músculos) e das sensações de fadiga e negatividade que podem acometer o corredor depois de tanto esforço. É como se o corpo estivesse se negando a continuar, avisando que o corredor foi longe ou rápido demais.

Overtraining: condição causada pelo excesso de treino ou falta de descanso adequado entre os treinos, prejudica o rendimento e geralmente vem acompanhada de sintomas físicos, sociais e psicológicos.

Pace: é o ritmo que você faz por quilômetro ou o tempo que você gasta para completar um quilômetro. Por exemplo: seis minutos por quilômetro.

Periodização: é a estruturação, o planejamento do treinamento; é estabelecer os dias, o volume e a intensidade dos treinos, bem como os dias de descanso, com foco em um determinado objetivo.

Pra morte: expressão que significa aplicar seu esforço máximo em um treino ou prova.

Qualify: qualificação, índice. Algumas provas – a Maratona de Boston, por exemplo – exigem que o corredor tenha determinado tempo, de acordo com sua faixa etária, para poder efetuar a inscrição.

Quebrar: é a diminuição brusca do ritmo durante a prova, quando o corredor perde força e não consegue completar ou precisa diminuir muito o ritmo para ir até o final. Por exemplo: você vinha fazendo um ritmo de 5 minutos por quilômetro e de repente, por cansaço, dor ou outro fator, passa a 7 minutos por quilômetro.

Regenerativo: treino realizado em uma intensidade de nível baixo que serve para recuperar o corpo de forma geral e contribuir com a eliminação do ácido lático do organismo.

RP: recorde pessoal. Também se usa PR (personal record) ou PB (personal best).

Tempo bruto: é aquele que começa a ser registrado a partir do momento em que a largada é dada oficialmente.

Tempo líquido: é o tempo que começa a ser contabilizado a partir do momento em que você passa pelo tapete de cronometragem. É esse que vale para pódio e recordes.

Tempo run: também conhecido como treino de ritmo, é aquele em uma intensidade elevada (ligeiramente acima do seu limiar anaeróbico, ou seja, da intensidade mais alta que você pode manter) por um período prolongado e sem intervalo. Por exemplo: 20 minutos firme + 15 minutos forte. É aquele esforço confortavelmente difícil.

Tiro: o popular treino de tiro é o treino intervalado, que reveza estímulos de alta intensidade e baixa duração (tiros) com períodos de recuperação (trote, caminhada ou descanso). Por exemplo: 6 tiros de 800 metros com um minuto de intervalo caminhando significa correr 6 vezes 800 metros a uma velocidade próxima da exaustão, com intervalo de um minuto entre eles.

Runner’s high: é o “barato” do corredor, um mix de euforia, alegria, leveza, excitação e relaxamento que pode ser sentido em um treino ou prova, provocado pela ação de substâncias bioquímicas liberadas no cérebro durante o exercício. Dizem que é isso que faz a corrida ser tão viciante.

UM CORREDOR PODE SER…

Canela fina (ou canela seca): é aquele corredor rápido, que tem justamente “canela fina” e pernas bem magras. É só lembrar dos atletas de elite.

Coelho: é o atleta contratado pela organização de uma prova para ditar o ritmo em que os atletas de elite planejam correr. Em uma maratona, geralmente o coelho puxa o grupo de elite até o quilômetro 30. Pode ser também aquele seu amigo ligeirinho que te ajuda a bater seu recorde.

Pipoca: é o corredor que participa de uma prova sem estar oficialmente inscrito, o que não é legal.

Pacer: é parecido com o coelho, ou seja, o cara que imprime um ritmo e ajuda outros corredores a manter aquela velocidade para completar a prova em um determinado tempo. Boas provas no Brasil têm colocado pacers para ajudar os atletas em seus objetivos.

PARA ENTENDER SEU TÊNIS

Cabedal: é a parte superior, o corpo do tênis. É para o calçado mais ou menos o que a carroceria é para o carro. Sua função é proteger os pés e garantir o conforto. A variedade de materiais usados no cabedal pode influenciar o peso, a resistência e o conforto do produto.

Contraforte: é a parte que contorna o calcanhar e ajuda a manter o pé estável. É estruturada também para reduzir o risco de torções no tornozelo.

Drop: com valor expresso em milímetros (mm), é o resultado da diferença entre a altura da base do calcanhar e a parte dianteira do calçado, ou seja, o “salto” do tênis. Valores mais próximos de zero, em geral, tornariam a corrida mais natural (o que seria correr descalço).

Entressola: fica entre o cabedal e a sola. Sua função é garantir a dispersão dos impactos e o controle dos movimentos. Geralmente é onde se encontram os componentes tecnológicos do sistema de absorção de impacto do calçado.