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Nova restrição hormonal pode prejudicar sul-africana Caster Semenya

A bicampeã olímpica pode ser proibida de competir no mundial de Doha 2019 devido a decisão da IAAF

Daniel VelosoPor
Daniel Veloso

Caster Semenya possui o quarto melhor tempo da história dos 800m femininos (Foto: Shutterstock)

Na última quarta-feira (1), o Tribunal Arbitral do Esporte tomou uma decisão polêmica. O órgão aceitou o pedido para restringir a participação de atletas mulheres com níveis altos de testosterona de competições de atletismo.

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com percursos de 21K e 42K 

A solicitação foi feita pela IAAF (a Associação Internacional de Federações de Atletismo) e afeta diretamente a medalhista olímpica sul-africana Caster Semenya. Ela é a atual bicampeã olímpica da prova de 800m. Agora, ela será obrigada a tomar supressores de testosterona para competir.

O caso

Semenya começou a chamar atenção quando, aos 18 anos de idade, venceu o mundial de 800m em Berlim 2009. Dez anos depois, uma investigação da IAAF diagnosticou a atleta com uma desordem de desenvolvimento sexual. Essa situação causa uma produção natural maior de testosterona, o que pode dar a ela uma vantagem sobre outras mulheres.

Segundo a IAAF, atletas mulheres com hiperandrogenismo têm vantagem sobre outras atletas principalmente em provas curtas, como os 400 e 800m. O órgão baseou as afirmações em estudos encomendados por eles próprios e publicados pelo periódico British Journal of Sports Medicine em 2017.

Tribunal aprova, mas pede adaptações

Na decisão, o Tribunal pediu para que a IAAF considerasse a medida só para provas curtas, e não todas as modalidades. Além disso, declarou que as regras são discriminatórias, mas necessárias para proteger a integridade física das atletas.

A nova regra entrou em vigor no último dia 8 de maio, e está causando discussões no meio. Dentre muitos motivos, o principal é que as atletas afetadas não poderão competir no mundial de Doha, no Qatar, 2019, que começa no final de setembro. Como o tratamento demora seis meses e o mundial acontece em setembro, elas não teriam tempo para se adequar às novas exigências.

Atleta alega perseguição

A defesa de Semenya chamou as limitações de discriminatórias, irracionais e injustificáveis. Além disso, disse que elas ferem os direitos humanos e as regras do esporte.

A sul-africana comentou o caso: “Eu sei que as regulações da IAAF sempre me tiveram como alvo específico. Eles estão tentando me prejudicar há uma década, mas só estão me fazendo mais forte” (a declaração foi dada pelos representantes da atleta).

Semenya prometeu que a decisão não vai fazê-la hesitar, e que ela vai continuar inspirando jovens atletas na África do Sul e no mundo todo.

Ela recebeu apoio de estrelas do esporte mundial, como a jogadora de futebol Abby Wambach e o ex-tenista Billie Jean King. Além deles, o ministério de esportes sul-africano também se posicionou a favor de Semenya e declarou que pretende apelar da decisão.