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World Athletics anuncia novas regras para os tênis de competição

Organização se pronunciou sobre protestos referentes aos modelos de placa de carbono, da Nike

Redação WRunPor
Redação WRun

Por Chris Volpe*

Depois de muito se falar no tema, a World Athletics, órgão que gerencia o atletismo a nível mundial, se manifestou referente aos protestos aos modelos da Nike, que segundo atletas e marcas seria um acessório que melhora a performance, não um tênis comum de competição.

Confira o comunicado oficial da organização:

“A World Athletics alterou hoje suas regras referentes aos calçados de competição para proporcionar maior clareza aos atletas e fabricantes em todo o mundo e para proteger a integridade do esporte.

As emendas às regras que o Conselho Mundial de Atletismo aprovou esta semana foram recomendadas pelo Grupo de Revisão de Assistência, um grupo de trabalho interno contendo especialistas técnicos, científicos e jurídicos, além de representantes de atletas.

A partir de 30 de abril de 2020, qualquer tênis deve estar disponível para compra, por qualquer atleta no mercado aberto (online ou na loja) por um período de quatro meses, antes de poder ser usado na competição.

Se um modelo não estiver disponível para todos, será considerado um protótipo, e seu uso em competição não será permitido. Sujeito à conformidade com as regras, qualquer tênis disponível para todos, mas personalizado por razões estéticas ou por razões médicas, que atendam às características do pé de um atleta em particular, será permitido.

Tendo motivos para acreditar que um tipo de tênis ou tecnologia específica, pode não estar em conformidade com as regras ou o espírito das regras, a World Athletics pode solicitar o modelo ou a tecnologia para estudo e pode proibir o uso do mesmo, durante o período de exames.

Além disso, haverá desde já a suspensão de qualquer modelo que não atenda aos seguintes requisitos:

– A sola não deve ter mais de 40 mm de espessura.

– O modelo não deve conter mais de uma placa ou lâmina rígida incorporada (de qualquer material) que percorra todo o comprimento, ou apenas parte do comprimento. A placa pode estar em mais de uma parte, mas essas partes devem estar localizadas sequencialmente em um plano (não empilhadas ou em paralelo) e não devem se sobrepor.

– Para um modelo com pregos, é permitida uma placa adicional (para a mencionada acima) ou outro mecanismo, mas apenas com o objetivo de fixar os pregos à sola, e a sola não deve ter mais de 30 mm de espessura.

Se o árbitro da competição suspeitar razoavelmente de que o modelo usado ​​por um atleta não cumpre as regras, ele terá o poder de solicitar que o atleta forneça imediatamente para inspeção na conclusão de uma corrida”.

Segundo o Portal Let’s Run, os novos regulamentos seguem a proposta apresentada pelos especialistas Nicholas Tam e Geoff Burns, publicada como editorial no British Journal of Sports Medicine, o artigo pede um limite para a altura da sola dos pés. “A inovação irrestrita é fascinante do ponto de vista científico e seria interessante teoricamente, mas na prática, não é absolutamente viável para a vida do esporte. A WA está agindo com sensibilidade e renunciando à emoção a curto prazo de performances estranhas e agindo contra os interesses corporativos em destacar produtos, a fim de preservar a longevidade e a estabilidade de nosso grande esporte”. 

Entre outras decisões, isso quer dizer que o modelo que o recordista mundial Eliud Kipchoge usou durante o INEOS 1:59, o inédito Alphafly não é considerado legal para competições oficiais. Mesmo assim, os populares Vaporfly 4% e o Next% estão permitidos.

Um dos pontos mais interessantes de todo esse assunto é o tema Olimpíadas. 

Desde que a Nike lançou oficialmente seus Vaporflys em 2017, outras marcas de calçados vêm se esforçando para melhorar o desempenho, como a Hoka One One, Saucony e Brooks, que tiveram seus atletas competindo em protótipos com fibras de carbono, o que depois do anúncio das novas regras, agora seria um problema.

Após a nova regra, qualquer modelo que for introduzido no mercado em abril, precisará de 4 meses para ser usado pela elite em competições. Se pensarmos que as maratonas olímpicas acontecerão nos primeiros dias de agosto, pode ser que algumas marcas terão que deixar seus atletas correrem de Nike, caso não dê tempo de lançar o modelo.

Já pensando nos próximos passos, a World Athletics estabelecerá um grupo de trabalho especializado para orientar futuras pesquisas sobre tecnologia de calçados e considerar as futuras possíveis implicações. Este grupo reportará a comissão à Comissão de Competições e, finalmente, ao conselho;