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Saúde

Entenda a importância de ser um doador de medula óssea

O transplante costuma ser um dos passos principais para a cura de doenças, como leucemia

Redação WRunPor
Redação WRun

O transplante de medula óssea é uma opção de tratamento recomendado em alguns casos de doenças que afetam as células sanguíneas, como leucemias e linfomas. A medula é um tecido gelatinoso que fica no interior dos ossos e é responsável por fabricar essas células.

No caso específico das leucemias, é importante lembrar que a indicação de transplante irá depender do tipo de leucemia e da resposta inicial ao tratamento com quimioterapia e, em muitas situações, a doença pode ser curada, apenas, com tratamento convencional com quimioterapia e/ou radioterapia.

A maior dificuldade para realização do transplante é a compatibilidade. A chance de encontrar uma medula compatível pode ser de 1 para 100 mil doadores.

Como funciona o transplante?

Existem dois tipos: o autólogo, pelo qual as células são retiradas do próprio paciente (opção utilizada em casos em que a doença não tem origem na medula e, portanto, o tecido do paciente produz células saudáveis), e o alogênico, em que as células são doadas por outra pessoa. Nesse segundo caso, a primeira ação é buscar um doador na família. A chance de compatibilidade entre irmãos de mesma mãe e mesmo pai é de 25%.

Quando não há nenhum familiar compatível, o doador é procurado no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), que reúne informações de voluntários no Brasil e também é responsável por buscar doadores nos registros internacionais.

O procedimento consiste na substituição de uma medula óssea doente ou deficitária por células normais desse tecido, para que se possa reconstituir uma medula nova e saudável.

Depois de um tratamento que destrói sua própria medula óssea com quimioterapia e/ou radioterapia, o paciente receberá a nova medula por meio de uma transfusão. Em três semanas, a medula transplantada já estará produzindo células novas.

Como é o procedimento de doação de medula óssea?

Existem duas maneiras de obter essas células. Na coleta de medula óssea, o procedimento ocorre em um centro cirúrgico, sob anestesia peridural ou geral e requer internação de 24 horas. As células serão coletadas através de punções na região do osso do quadril e o procedimento dura cerca de 90 minutos.

Na doação por aférese, as células são coletadas diretamente da corrente sanguínea, através de um procedimento que dura de 3 a 4 horas. Nesse caso, o doador deverá, antes do procedimento, receber uma medicação por 5 dias para estimular as células-tronco.

Vale lembrar que a medula se recompõe em 15 dias. Com isso, é possível realizar uma nova doação sem prejuízo à saúde.

Fazendo a diferença

A história de Tiago Vieira é exemplo de como uma pequena atitude pode transformar vidas. “Sempre tive o costume de doar sangue e certa vez havia uma voluntária cadastrando doadores de medula óssea. Depois da explicação que ela me deu resolvi me cadastrar”, lembra.

Foi apenas cinco anos depois que Tiago recebeu a ligação que mudaria sua vida. Ele era compatível com um paciente que precisava do transplante. O processo de exames durou praticamente um ano. “Foram várias idas e vindas, eu precisava estar em perfeita saúde para fazer a doação, já que o paciente costuma estar muito desabilitado”, conta.

No dia da cirurgia tudo é feito de forma sincronizada: enquanto o doador está sendo preparado, o paciente também passa por um procedimento específico. Como a doação é anônima as pessoas envolvidas no processo não se conhecem. Mas graças a uma matéria na televisão, Tiago conheceu o paciente para quem doou uma parte de si – e que, por coincidência, também se chama Thyago.

“Antes de conhecer o Thyago, não tinha ideia da dimensão do processo todo. Eu era praticamente a última esperança para salvar a vida dele. Hoje tenho a sensação gostosa de ter feito a diferença na vida de alguém. Nem sempre consigo externar a alegria que sinto, mas fico feliz de saber que um pedacinho de mim se transformou e hoje está em outra pessoa.”

Como se tornar doador?

Basta ir a um hemocentro com documento de identidade. Não é necessário agendamento. Cadastrar-se não significa que a doação será feita naquele momento, como ocorre com doações de sangue comuns. No caso da doação de medula óssea, são retirados 10 ml de sangue para avaliar a compatibilidade do doador com pacientes que precisam do transplante.

Os dados ficam registrados e, se em algum momento houver alguém compatível, o voluntário é procurado para decidir sobre efetivar a doação. Por isso, é importante manter todos os dados pessoais atualizados.

É necessário ter entre 18 e 55 anos, estar em bom estado de saúde, não ter doenças infecciosas ou incapacitantes, doença neoplásica (câncer), hematológica (do sangue) ou do sistema imunológico.

Se você está na capital paulista e grande São Paulo, pode se cadastrar no Hemocentro da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Basta fazer o seu agendamento através do telefone: (11) 2176-7249 e marcar o dia. Lembrando que todo hemocentro da sua cidade também pode fazer o cadastro.

Seja um doador, ajude a salvar vidas!