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Saúde

Cuidados com o gelo na recuperação pós-treino

A crioterapia é uma técnica muito usada e pode ajudar na recuperação, mas exige cuidados.

André NogueiraPor
André Nogueira

gelo na recuperação pós-treino

Usar gelo para minimizar dores causadas por treinos e competições é algo historicamente conhecido. Atletas profissionais são os  que mais utilizam o método (chamado de crioterapia). A imersão em banheiras de gelo é comum no dia a dia de muitos deles. Mas essa prática exige alguns cuidados, principalmente por quem pratica esportes em busca de diversão, saúde e bem-estar.

O frio provoca uma vasoconstrição dos vasos sanguíneos imediatamente após sua aplicação e, com o passar dos minutos, uma vasodilatação profunda, levando o que podemos chamar de “sangue novo” para a reconstrução do tecido lesado durante o treinamento. Além disso, diminui a condução de estímulos dolorosos para o sistema nervoso central. Ou seja, minimiza os danos da atividade física e gera certo alívio.

Porém, a dor é um sinal muito importante para sabermos se o nosso corpo está agindo de forma correta. Dependendo da ocasião, passar por cima dela pode trazer malefícios. Um bom exemplo disso: se não sentíssemos dor alguma, conseguiríamos colocar a mão no fogo e deixá-la até queimar. Com isso, poderíamos perder o membro.

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Quando você corre, suas fibras musculares sofrem microlesões (que causam as dores pós-treino). Elas precisam de tempo (cerca de 24 a 48 horas) para serem reparadas mais fortes. É um processo natural e fundamental para a evolução do condicionamento. E se a dor faz parte dele e é tão importante para a preservação da nossa saúde, por que recorrer sempre ao gelo para minimizar os incômodos?

A crioterapia, por exemplo, não é indicada caso você tenha de retornar aos treinos em pouco tempo. O relaxamento que o gelo proporciona leva a uma redução na atividade muscular e, caso necessite realizar algum exercício vigoroso, você poderá não aguentar a sobrecarga e sofrer uma lesão muscular propriamente dita.

Dessa forma, podemos concluir que o gelo é muito interessante para a recuperação pós-treino e vale a pena se utilizado dentro de suas indicações e contraindicações (que devem ser feitas por um especialista). Mais: o ideal é não ultrapassar o limite de aplicação de, no máximo, 20 minutos, pois o resfriamento excessivo pode levar a danos teciduais, como queimaduras.

*André Nogueira é fisioterapeuta especializado em esportes e sócio-fundador da Club Físio.

**Originalmente publicada em 4 de abril de 2016