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Saúde

Meditação: sua aliada para correr melhor

A prática ajuda a fortalecer a mente, influenciando diretamente no seu desempenho na corrida

RedaçãoPor
Redação

Meditação

Postura correta, movimento eficiente, maior resistência à dor, fôlego poderoso, ansiedade sob controle. Todo corredor deseja desenvolver habilidades como essas para evoluir no esporte. O que muitos não sabem é que um passo importante para conseguir tudo isso é apenas fechar os olhos… E meditar. “A prática regular ajuda a trazer a mente para o momento presente e controlar o fluxo de pensamentos que podem atrapalham qualquer atividade do dia a dia, inclusive a corrida”, fala Alexandre Lopes, instrutor de meditação da Arte de Viver, organização mundial engajada em iniciativas de controle do estresse. “Quando se torna um hábito, desenvolve a consciência corporal, o que é importante para usar bem cada parte do corpo envolvida no movimento, sem desperdiçar energia nem facilitar o surgimento de lesão”, acrescenta Alexandre, que também é formado em educação física e já trabalhou com corredores.

Meditação na prática

Quem nunca se viu tentando afastar pensamentos do tipo “Devia ter escolhido outro tênis”, “Não comi o suficiente”, “Minhas pernas estão doendo”, “Acho que não vou aguentar até o fim” em pleno percurso? É a fim de domar essa agitação mental que cada vez mais corredores estão incluindo a meditação entre as atividades complementares para melhorar a performance. Mas não só isso. Embora existam diversas técnicas para silenciar a mente e relaxar o corpo – zen, transcedental, mindfulness, por exemplo –, todas têm em comum a atenção à respiração. E concentrar-se em inspirar e expirar lenta e profundamente tem efeito comprovado na redução da pressão arterial e do colesterol, na melhora da circulação, na diminuição de tensões musculares e da ansiedade e na oxigenação geral do organismo. Benefícios que resultam em mais disposição e saúde, mas também em uma melhor recuperação pós-treino.

Efeitos comprovados

Várias pesquisas já mostraram que, além de relaxar, a meditação é capaz de modificar o funcionamento cerebral. Um dos estudos pioneiros sobre o tema, realizado pela bióloga brasileira Elisa Kozasa, do Instituto do Cérebro do Hospital Israelita Albert Einstein, e publicado no periódico científico americano Neuroimage, comparou o cérebro de pessoas que meditam pelo menos meia hora três vezes por semana e que não meditam. A conclusão: as do segundo grupo precisaram ativar mais áreas para realizar uma mesma tarefa que exigia atenção. “Isso mostra que o cérebro de quem medita é mais eficiente”, diz a cientista.

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A produtora de eventos Soraia Machado, 42 anos, já corria há dois anos quando começou a meditar. Em questão de poucas semanas percebeu as vantagens de combinar as duas atividades. “Aprendi a correr com a musculatura mais relaxada e a respirar melhor. Com isso, me canso menos, principalmente em corridas longas”, conta. “Também estou melhor em domar o nervosismo à medida que uma competição se aproxima. No trajeto, se percebo a mente pipocando de pensamentos negativos, fixo o olhar em um ponto distante, observo meus batimentos e respiração e volto para o aqui e agora”, diz.

Mais fácil do que você imagina

Muita gente sequer tenta meditar porque acha que é desconfortável, monótono, demorado demais para se concentrar. Conheça alguns mitos e verdades da prática, experimente e comece a colher os benefícios.

Tem que ficar em posição de lótus.

Mito. A única regra é encontrar uma posição confortável, que pode ser sentada no chão com as pernas cruzadas ou estendidas ou até em um sofá, no banco da praça ou na cadeira no escritório, desde que as costas fiquem eretas e os ombros relaxados. Só é bom evitar ficar deitado, pois o corpo relaxa demais e você pode acabar pegando no sono.

Tem que praticar todo dia.

Verdade. “Assim, como uma atividade física, os benefícios aparecem com a repetição do exercício meditativo”, avisa Elisa Kozasa. Da mesma maneira, se você interrompe o “treino” de meditação, precisa voltar para trás para recuperar o condicionamento.

O certo é não pensar em nada.

Mito. Até porque bloquear os pensamentos é bem difícil. Tente o seguinte: quando eles vierem, deixe-os ir embora, sem esforço nem culpa. Os budistas sugerem ver os pensamentos como nuvens no céu, que passam e vão embora. Concentrar-se na respiração, inspirando e expirando lenta e profundamente, também ajuda. Ou, então, visualizar um ponto luminoso entre os olhos e repetir mentalmente um mantra ou frase a cada entrada e saída do ar.

Música baixinha e incenso ajudam a relaxar.

Nem sempre. Para algumas pessoas pode funcionar, mas é bom saber que sons e cheiros são estímulos que podem atrapalhar o processo de interiorização e a concentração na respiração.

*Originalmente publicada em 12 de maio de 2016