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The Finisher

“Eu empurro, mas é ele quem me leva”

Conheça a história de Rodrigo e Biel, pai e filho que superaram barreiras com a corrida

Juliana MesquitaPor
Juliana Mesquita

8 de maio de 2002: Rodrigo estava ansioso pelo nascimento do seu primeiro filho. Com muitas expectativas, mas sem nenhuma ideia do amanhã, ele aguardava na sala de espera enquanto o parto era feito. Depois de muito tempo, talvez horas, finalmente Rodrigo pôde conhecer o rostinho do Biel.

Era um bebê bem ‘pretinho’ (na verdade, roxinho) e me perguntei o que estaria acontecendo, por que ele estava assim… Minha idade (22 anos) e nenhuma experiência não me deixaram entender que algo de errado estava acontecendo”, lembra Rodrigo.

Tempos depois, Biel começou a apresentar crises convulsivas e não se desenvolvia como os demais bebês. Algo estava errado. Foi nesse momento que seus pais procuraram ajuda médica. O diagnóstico veio logo em seguida: Biel tinha Paralisia Cerebral causada, provavelmente, pela falta de oxigenação durante a gestação. Foi aí o início da luta pela vida.

Aquela criança frágil, que demorou para chorar e que sentiu falta de ar antes mesmo de nascer, demonstrou ao longo dos anos uma energia e uma alegria de viver contagiantes – algo que refletiu diretamente no esporte.

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Novos passos

Antes de Biel, Rodrigo encarava a corrida apenas como um exercício aeróbico da academia, mas, em 2013, os dois fizeram a sua primeira corrida juntos. “Nessa época fizemos a corrida com a cadeira de rodas. Foi aí que ele demonstrou interesse, me fazendo idealizar, junto a um amigo, nosso primeiro triciclo”, lembra Rodrigo.

Os dois entraram efetivamente para a corrida em 2014, quando Biel tinha 12 anos. Mas, como era de se esperar, o caminho até às pistas não foi nada fácil. Inicialmente tivemos problemas relacionadas ao custo, pois morando no interior do Rio de Janeiro não se trata apenas da inscrição. O dinheiro que se gasta com a viagem se torna bem mais elevado do que a própria inscrição”, destaca.

Mesmo com os pequenos obstáculos, pai e filho tornaram-se uma dupla de sucesso. Apesar de não treinarem juntos com frequência – já que Rodrigo precisa viajar para trabalhar durante a semana – Biel está presente sempre que possível.

A corrida, sem dúvidas, trouxe muitos benefícios a ambos. “Independente do tempo de prova, da temperatura (que já sofremos) ou do clima (sol ou chuva) ele vai curtindo a prova. Vamos conversando e brincando. Hoje em dia a galera já passa mexendo com ele, zoando sobre as postagens… Ele se amarra! É tão tranquilo, apesar de muitos acharem que ele sofre, que já peguei ele cochilando em maratona”, debocha Rodrigo.

Falando em maratonas, o pai de Biel conta que a prova que o mais marcou foi a estreia nos 42K. “É a prova do sonhos de muitos corredores. Não era meu sonho, não fui com esse pensamento, mas, no decorrer do percurso, fui entendendo o motivo; senti o quanto era uma vitória terminar e eu não estava sozinho, ele estava comigo e ele merecia cruzar a linha de chegada. Depois dos 42 km, Biel terminou a prova tocando os pés no chão, caminhando do seu jeito, da sua maneira – aquilo me deu uma sensação que até hoje me emociona”, relembra.

O esporte ajudou Biel em vários aspectos: melhorou sua interação, coordenação motora e o equilíbrio do tronco. Mas, acima disso, o garoto de 15 anos encontrou na corrida mais um motivo para sorrir.

Quando questionado sobre seus próximos passos no esporte, Rodrigo é objetivo. “Quero continuar fazendo Biel se sentir bem, feliz, uma criança com conquistas e com muitos amigos. Relacionado às provas, recentemente consegui fazer o Duathlon e falta pouco para o tão sonhado Triathlon – já são dois anos de planejamento”, enfatiza.

 

Lição de vida

Em todo esse caminho percorrido com o filho até agora, Rodrigo tirou uma lição valiosa: “Hoje levamos conosco muitas histórias e uma força emocional para viver ou para começar uma nova vida. Nós divulgamos nas redes sociais nosso dia-a-dia demonstrando que existe sempre mais motivos para sorrir do que motivos para chorar; que devemos enaltecer o que ocorre de bom e não ficar na amargura quando coisas ruins acontecem. As coisas simples possuem muito valor em nossas vidas, mas não temos costume de valorizar. Biel sorri para tudo e para todos. Ele se diverte com pouco e, mesmo com suas limitações, não são as rodas da cadeira que lhe impedem de andar para frente e conhecer o mundo”, finaliza.

Acompanhe a história do Rodrigo e do Biel nas redes sociais:
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