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The Finisher

Maratonista usa o Run Walk Run para vencer grandes distâncias

Carolina Lanna, 37, corre há dez anos e desde os primeiros passos no esporte usa o método que alterna corrida e caminhada

Fernanda BeckPor
Fernanda Beck
A maratonista Carol Lanna durante a maratona de Porto Alegre em 2019

A maratonista Carol Lanna durante a maratona de Porto Alegre em 2019

A corredora paulistana Carolina Lanna, 37 anos, é adepta do método Run Walk Run, desenvolvido pelo treinador norte-americano Jeff Galloway, desde que começou a treinar. Alternando corrida e caminhada, o RWR é ideal para quem está começando no esporte ou voltando a correr depois de um tempo parado, mas também faz bastante diferença na vida de atletas experientes, pois evita desconfortos e o aparecimento de lesões durante provas mais longas. “Não tenho a biomecânica ideal para vencer grandes distâncias, mas o RWR me ajuda a concluir metas sem me lesionar nem sofrer”, conta Carol.

A seguir, Carol lembra como foi seu início na corrida e como o método RWR a ajudou a enfrentar alguns desafios na trajetória como atleta. Confira.

Começo na esteira

“Sempre pratiquei muito esporte. Comecei a dançar balé aos dois anos, depois fiz ginástica olímpica e vôlei até entrar na academia, com uns 16 anos. Mais ou menos nesta época, comecei também a correr. Primeiro, só na esteira. Eu fazia o Run Walk Run, intercalando períodos correndo e andando. A cada semana, aumentava o tempo de corrida e diminuía o de caminhada.”

Carol na Seven Run 2019, em São Paulo

Carol na Seven Run 2019, em São Paulo.

Primeiras provas e gosto pela corrida de rua

“Participei da minha primeira prova de rua por acaso. Meu irmão me ligou perguntando se eu não queria correr 10K no dia seguinte, pois um amigo dele que estava inscrito em uma competição não poderia participar. Eu já fazia aquela distância na esteira, então topei. Terminei em 1h18. Achei muito difícil, afinal, não estava acostumada a correr na rua. Nessa época, fui morar fora do Brasil e meu gosto pela corrida de rua cresceu. Em Londres dividi casa com uma atleta profissional que me chamava para treinar com ela na rua. Fazíamos percursos de 5K e 10K.”

Foco na performance e equilíbrio com vida boêmia

“Quando voltei ao Brasil queria melhorar meu desempenho na corrida. Comecei a treinar com um grupo no meu clube e depois entrei para uma assessoria que se reunia no Parque do Ibirapuera. Queria só treinar, não participar de provas, porque gostava de ter o fim de semana livre. Mas acabei correndo algumas e fui tomando gosto pela coisa. Meu treinador sugeriu que eu aumentasse as distâncias, e passei a treinar para a São Silvestre, 10 milhas (16 km) e minha primeira meia maratona.”

Carol com sua medalha na Maratona de Buenos Aires

Carol com sua medalha na Maratona de Buenos Aires

Longas distâncias, dor e RWR               

“Me preparando para minha segunda meia, comecei a sentir muita dor nos joelhos. Fui ao médico e descobri que tinha tendinite patelar. Tive que ficar oito meses sem correr, me tratando. Quando voltei, passei a usar o método RWR, que é ótimo para quem está voltando de lesão e recomeçando praticamente do zero. Como eu já tinha memória muscular, em três meses estava completando 10K de novo. Em pouco tempo, decidi fazer minha primeira maratona, a de Chicago. Durante a prova meu joelho doeu muito e passei ao RWR.

Minha segunda maratona foi em Buenos Aires, e meu tempo melhorou muito em relação à minha estreia nos 42K (em Chicago fiz 5h05, em Buenos Aires terminei em 4h24). Também usei o RWR na ocasião – sabia que andaria na prova, por causa do joelho. Logo depois de Buenos Aires, tive outra lesão e fiquei novamente parada. No retorno, recorri novamente à estratégia de intercalar corrida e caminhada.”

Ganho de força muscular              

“Após um ano de recuperação, decidi fazer mais uma maratona, novamente em Buenos Aires. Nessa época comecei a praticar crossfit, o que me deu muita força muscular. Fiquei feliz de ver que meu joelho agora aguentava muito mais. Concluí a prova em 4h32, mas de uma maneira muito mais saudável do que na maratona anterior.”

Carol com sua medalha da Maratona de Porto Alegre em 2019

Carol com sua medalha da Maratona de Porto Alegre em 2019

Good vibes na corrida

“Hoje em dia sou focada em performance, mas não quero fazer nada dolorido, que me traumatize. Em junho fiz a maratona de Porto Alegre, mas fui decidida a correr em um clima descontraído. Tenho uma vida boêmia, gosto de sair para encontrar meus amigos, beber e de vez em quando comer porcarias, mas amo esporte e tento equilibrar as duas coisas. Não sigo à risca o que o nutricionista recomenda nem tenho o objetivo de ficar muito magra, pois não abro de comer o que gosto.”

Porto Alegre com Run Walk Run

“O ciclo de treinos para a maratona de Porto Alegre foi muito difícil, ainda mais porque pegou a época do Carnaval, quando é ainda mais complicado resistir às tentações e manter a dieta. Também tenho dificuldade em treinar no calor: não tenho meu melhor rendimento e desidrato muito, então tive que ajustar essas questões também.

Estava bem preparada para a prova, mas não estava 100% focada, sabia que não seria minha melhor performance. Comecei tranquila, seguindo minha estratégia, mas quebrei lá pelo km 17. No km 30 resolvi adotar uma estratégia. Por trabalhar na Iguana Sports, lembrei da proposta da prova Run Walk Run e decidi que faria assim do km 32 aos 42: andaria 200 metros e correria 800. Segui assim até o final.

Desse jeito, fui me recuperando e voltei ao meu pace inicial nos momentos de corrida. Eu não chegava até o ponto da dor, pois antes passava à caminhada. Fui ultrapassando pessoas que estavam apenas correndo, mas visivelmente exaustos. Terminei muito bem, no tempo que tinha planejado, e mesmo tendo quebrado, consegui reverter a situação com a ajuda do RWR.”