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The Finisher

Uma meia maratona cheia de emoção!

A guia de Silvana passou mal na Rio City Half Marathon, e Fernando apareceu para ajudar a deficiente visual a completar os 21K

Lucas ImbimboPor
Lucas Imbimbo
Rio City Half Marathon

Foto: FOTOP

Nem todos os heróis usam capa. A dupla Silvana Rosa da Silva e Fernando Dias Lima é prova disso. Os dois correram juntos boa parte da Rio City Half Marathon desse ano, e tiveram de usar todos os seus poderes para superar um grande desafio.

Deficiente visual, Silvana iniciou a meia maratona ao lado de sua guia, Renata. A prova foi tranquila para as duas até mais ou menos o quilômetro 11, quando Renata passou mal devido à alta temperatura. “Fiquei muito angustiada ao ouvir a Renata pedindo para irmos mais devagar. Comecei a gritar para alguém trazer água e nos ajudar”, lembra Silvana.

O socorro não demorou para aparecer. Fernando, que tinha diminuído o ritmo por causa do calor, percebeu que as duas estavam com problemas e parou para saber se precisavam de auxílio. “Vi que a Silvana estava quase arrastando a Renata e encostei para oferecer ajuda”, diz o corredor.

UMA NOVA PARCERIA

Como Renata não tinha condições de continuar, Silvana perguntou se Fernando poderia guiá-la até a linha de chegada. Surpreso, o atleta aceitou acompanhá-la, mesmo sem saber exatamente o que deveria fazer. “Expliquei que ele só tinha de me manter longe da calçada e de outras pessoas, além de avisar se houvesse um trecho de chão ruim”, afirma Silvana.

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Corredor experiente, com cinco maratonas e mais de 30 meias no currículo, Fernando revela que essa foi uma das tarefas mais difíceis que já encarou no esporte. “Guiar uma pessoa não é simples. Tive de correr prestando o dobro de atenção. Sem falar que é complicado definir o que é um chão ruim. Para não ter erro, alertava Silvana sobre tudo que aparecia pela frente: copos no chão, pedras, quebra-molas, subida, descida…”

A QUEBRA-GUIAS

Assim como Renata (à esquerda), muitas outras guias não conseguiram acompanhar o ritmo de Silvana | Foto: FOTOP

Antes de seguir a saga de Silvana e Fernando na Rio City Half Marathon, a história da deficiente visual merece um parêntese. A meia maratona na Cidade Maravilhosa não foi a primeira competição em que uma guia não conseguiu acompanhar o ritmo forte de Silvana. Isso já aconteceu diversas vezes, o que rendeu a ela o apelido de “quebra-guias”.

Silvana perdeu a visão bem cedo, aos 6 anos de idade, devido a complicações causadas pelo sarampo. A corrida entrou em sua vida muito depois, para livrá-la de diversos problemas de saúde. “Estava obesa e com depressão. Então, decidi começar a correr e virar o jogo.”

A deficiente visual participou de sua primeira prova em 2003, mas passou a levar o esporte a sério a partir de 2015. Desde então, fez duas maratonas, 15 meias maratonas, incontáveis provas de distâncias menores e colheu inúmeros benefícios.

“A corrida transformou minha vida e se tornou um dos meus pilares. O esporte me ajudou a perder mais de 40 kg, me trouxe saúde: ganhei bem-estar, consegui relaxar, fiz diversos amigos. Por tudo isso, a atividade física é minha paixão.”

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Rio City Half Marathon

Foto: FOTOP

Silvana e Fernando percorreram sem problemas os 10 km que faltavam para finalizar a Rio City Half Marathon. Pareceu até que os dois já haviam treinado juntos várias vezes. Silvana cruzou a linha de chegada em 2h21min07seg, muito feliz por completar uma corrida que parecia perdida.

“Essa foi com certeza a minha maior aventura! Mesmo que meu tempo tenha ficado bem acima da minha melhor marca, foi uma experiência inesquecível”, afirma a corredora, que promete nunca esquecer o que Fernando fez por ela. “Jamais vivi algo parecido. Ele foi como um anjo para mim.”

Fernando garante que a parceria com Silvana também ficará gravada em sua memória. “Foi muito gratificante. Acredito que ajudar o próximo é mais importante do que ganhar qualquer medalha.” São pensamentos assim, como o de Fernando, que fazem da corrida um esporte cheio de heróis. Heróis sem capa, mas com número de peito e tênis.

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