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Treino

Os prós e contras de correr ouvindo música

Ela pode trazer motivação e ajudar no ganho de performance, mas, às vezes, o silêncio é bem-vindo nos treinos

Lucas ImbimboPor
Lucas Imbimbo

Correr ouvindo música

Você está quase terminando o longão – cansado e com muita vontade de parar. Aí, no fone de ouvido começa a tocar seu som preferido. A música o deixa empolgado, traz de volta a motivação e a força que faltavam para correr os quilômetros finais. Provavelmente, você viveu essa situação alguma vez na vida… Mas já parou para pensar por que uma canção tem tanto poder sobre seu corpo, sua mente e ajuda a melhorar a performance esportiva? Vamos explicar.

OS EFEITOS DA MÚSICA NO ORGANISMO

Uma boa trilha sonora tem grande efeito sobre seu cérebro. Ela gera uma sincronização entre os neurônios e estimula a produção de diversos neurotransmissores, um deles é a noradrenalina. “Uma das funções da substância é deixar o corpo preparado para a atividade física, melhorando a capacidade respiratória e cardíaca”, explica a psicanalista Cristiane M. Maluf Martin, de São Paulo. A noradrenalina contribui para que mais sangue e oxigênio (principal combustível de uma atividade aeróbica) cheguem aos músculos, o que auxilia o bom desempenho físico.

A música ainda faz nosso corpo sintetizar outros neurotransmissores que turbinam o humor e trazem bem-estar, como a endorfina. Eles são responsáveis por ajudar você a suportar melhorar a dor durante o exercício, ignorar o cansaço e chegar até o fim da corrida. Vale ressaltar que qualquer ritmo é capaz de proporcionar esses estímulos ao organismo. Não é necessário ser um rock pesado ou uma música eletrônica agitada. Basta ser um som que agrade aos ouvidos.

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QUANDO O SOM PODE ATRAPALHAR O TREINO

Ao ver os benefícios que uma boa playlist traz para a atividade física, você deve imaginar: os fones de ouvido são acessório obrigatório para correr, certo? Não é bem assim… Em alguns momentos, a música pode tirar o foco do exercício e atrapalhar o desempenho.

Nos treinos intervalados, por exemplo, uma canção mais lenta pode impedir que você chegue à intensidade (velocidade) planejada para atividade. Motivo: ao correr escutando som, o atleta tende a adequar o ritmo das passadas e do coração ao da música. Pela mesma razão, uma playlist agitada pode fazer você acelerar mais do que deve e prejudicar treinos leves.

Outro problema é que os fones de ouvido não permitem ao atleta “escutar” o próprio corpo. “Muitas vezes, você não percebe o quão ofegante está e deixa de controlar direito o ritmo do treino. Quanto maior o autoconhecimento, melhor a evolução na corrida”, explica o treinador Kim Cordeiro, diretor da assessoria esportiva BK Sports, em São Paulo.

Até mesmo o lado psicológico, muito beneficiado pela música, pode ser atrapalhado em alguns momentos. Há casos de atletas que simplesmente não conseguiram completar um treino pois o celular (ou reprodutor de MP3) ficou sem bateria antes do último quilômetro, e para eles é impossível correr sem som. Para evitar esse tipo de problema, é indicado realizar treinos com e sem fone de ouvido. Assim, você se acostuma a correr ouvindo música e apenas com o “som ambiente”.

correr ouvindo música

CUIDADO COM A SEGURANÇA

Não é nem um pouco recomendado utilizar fones de ouvido para correr em ruas abertas para o trânsito. Nesse caso, o risco de sofrer um acidente aumenta, já que você pode não escutar o barulho de um carro que se aproxima.

“O ideal é ouvir música somente em treinos realizados em locais fechados, como parques, pistas de atletismo ou esteira. Mesmo assim, é muito importante abaixar o volume e prestar atenção no que acontece ao seu redor, para evitar possíveis problemas”, alerta Kim Cordeiro.

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E EM PROVAS, TUDO BEM CORRER OUVINDO MÚSICA? 

Por mais que uma boa playlist gere efeitos que contribuem para a performance esportiva, não é indicado disputar corridas escutando som. “Você nunca verá um corredor profissional competindo com fones de ouvido”, acredita Kim Cordeiro.

Em provas, o atleta precisa manter a atenção total na pista e a música é uma distração. Ela pode fazer com que você erre o percurso; não veja buracos; deixe de prestar atenção no momento certo de se hidratar ou tomar gel de carboidrato; não note a presença de outro corredor e “trombe” com ele; tenha dificuldade de manter o ritmo planejado e por aí vai.