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Treino

Treino com eletroestimulação: mais força para a corrida

O método, que alia musculação e tecnologia, pode contribuir para o ganho de performance ou até acelerar a recuperação de lesões  

Élcio PadovezPor
Élcio Padovez
treino com eletroestimulação

Foto: Divulgação/ Academia Tecfit

Usain Bolt, Rafael Nadal, Cristiano Ronaldo e diversos “atores globais”. Provavelmente, você já viu nas redes sociais algumas personalidades treinando com diversos eletrodos e fios acoplados no corpo. Esse método de treinamento, que combina exercícios de força com a eletroestimulação muscular (EMS), ganha cada vez mais adeptos e pode contribuir para a performance.

Uma das coisas que tem atraído muitas pessoas a usarem a tecnologia são os resultados rápidos, tanto para ganho de força quanto para perda de peso. Em uma sessão de 20 minutos é possível obter resultados semelhantes a três horas de atividade física. “Com a EMS, conseguimos trabalhar as fibras musculares a fundo, de uma maneira nunca imaginada nos exercícios tradicionais, que exigem no máximo 50% de sua capacidade física”, afirma David Schaaf, coach alemão da MIHA, marca pioneira no uso da tecnologia.

Por que funciona

Quando você faz um agachamento, por exemplo, os músculos do quadríceps se contraem para realizar o movimento de extensão de joelhos e erguer o corpo. Isso provoca microlesões nas fibras musculares, que ao serem reparadas terão sua força e resistência aumentadas. Ao executar um exercício usando o aparelho de EMS, o equipamento gera um impulso elétrico capaz de provocar a contração muscular e estimular grande quantidade de fibras musculares.

Schaff explica que com o treino é possível obter ganhos de acordo com o objetivo de cada atleta. “O Usain Bolt, por exemplo, utiliza a EMS para potencializar sua explosão. Já corredores de longas distância podem usar a máquina para acelerar o metabolismo e ganhar força e resistência muscular na região do core e das pernas”, aconselha o alemão. Ele afirma que basta uma sessão por semana com a EMS (mais os treinos regulares de corrida e de força) para turbinar a performance nas provas.

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Bolt Treino com eletroestimulação

O homem mais rápido do mundo, Usain Bolt, também investe na EMS para ganhar performance | Foto: reprodução do Instagram @usainbolt

Como é o treino com eletroestimulação

É preciso vestir uma espécie de roupa de lycra e colocar uma “armadura” de algodão umedecido. A peça é responsável por conduzir para as fibras musculares a corrente elétrica gerada por até dez pares de eletrodos, que são grudados na armadura. Durante a execução do exercício, o treinador determina a carga elétrica que será aplicada na musculatura envolvida, de acordo com o objetivo do atleta.

Na academia Tecfit, em São Paulo, por exemplo, o treino é divido em 10 minutos de aquecimento, nos quais os atletas realizam uma sequência de movimentos para pernas (agachamento), peito (crucifixo reto), costas (remada), bíceps (rosca direta) e tríceps (paralela), com eletroestimulação leve. Depois, a carga elétrica é elevada, para proporcionar maior contração muscular, e o atleta executa os mesmos exercícios durante outros 10 minutos. No caso de corredores, no início e no final do treino, Keko Rodrigues, coach da Tecfit, pede para o aluno simular um pouco de corrida sem sair do lugar, além de fazer saltos e extensão de joelhos.

Em uma sessão como essa, de 20 minutos, é possível gastar até 350 calorias. “O treinamento é muito intenso. Por isso, não recomendo realizar mais do que três sessões semanais. Mas essa quantidade de treino é suficiente para obter resultados rapidamente”, afirma o instrutor da Tecfit.

A jornalista Carla Giotto, de 57 anos, é uma das alunas da academia. Ela afirma que a tecnologia é diferente de tudo o que já havia experimentado na vida. “Vim com o intuito de perder peso e estou adorando treinar assim. Já fiz algumas aulas, e a vantagem é que você percebe o resultado na hora. Sente todos os músculos do corpo trabalhando.”

Auxílio no tratamento de lesão

A EMS não é utilizada apenas para estimular a contração muscular e desenvolver força. Dependendo da intensidade, a corrente elétrica também consegue relaxar os músculos e acelerar a recuperação das fibras. Isso contribui tanto para aliviar dores pós-treino como para tratar lesões.

Segundo o ortopedista Thomás Mozaner, do estúdio Motriz, o trabalho de recuperação de um atleta com a EMS ocorre de forma rápida e assertiva. “A eletroestimulação é uma técnica utilizada na reabilitação física há muito tempo (inclusive na fisioterapia)”, afirma o médico. “Além disso, o método contribui para manter o condicionamento e a força do atleta enquanto ele está impossibilitado de correr, contribuindo para a recuperação de seu desempenho na retomada dos treinos”, diz Mozaner.

Testado (não foi fácil) e aprovado

Eu experimentei o treino com EMS nas academias Tecfit e First. O estímulo elétrico não provoca dor intensa ou dificuldade no movimento durante a execução dos exercícios. O choque causa um formigamento um pouco mais forte do que o de tratamentos de fisioterapia. A coisa pegou mesmo foi no pós-treino.

No dia seguinte, meus músculos estavam muito doloridos. Parecia até que nunca tinha praticado atividade física na vida. A parte do corpo que mais sofreu foram as pernas. Durante uns três dias senti um certo desconforto ao caminhar.

Por enquanto, o treino com eletroestimulação está disponível apenas em academias de São Paulo e do Rio de Janeiro, mas a tecnologia deve ser expandida para o restante do Brasil em breve.